ADVOGADA procura sobreviventes das vítimas e familiares
Clarice Costa
Após treze anos de uma longa e torturante espera, as primeiras vítimas da Tragédia da Hemodiálise de Caruaru devem receber as indenizações. Foram muitas idas e vindas e recursos impetrados pelos advogados dos acusados – os proprietários do Instituto de Doenças Renais (IDR), Bráulio Francisco Coelho Neto e Antônio Bezerra Filho – que conseguiram adiar ao máximo os pagamentos a que foram condenados. “Os processos já voltaram do Superior Tribunal de Justiça para a 2ª Vara Cível de Caruaru e ainda este ano as vítimas devem começar a receber”, afirmou a advogada Maria Conceição de França Bezerra, que defende um grupo formado por onze familiares.
O problema, agora, de acordo com ela, é encontrar os sobreviventes e familiares para que as informações possam ser atualizadas e os parentes sejam habilitados para receber os valores. Em dois processos em que Conceição está à frente, ela afirma não ter mais os contatos das famílias. Um dos casos é o do marido de uma das vítimas da tragédia, José Ferreira da Silva, de 79 anos, e dos filhos do casal, que não estão sendo localizados pela advogada. O telefone cadastrado no processo já não é mais o mesmo.
“Eu preciso encontrá-los para enviar documento ao juiz para que execute o pagamento da indenização. Provavelmente ele será o primeiro a receber porque os outros processos têm muitas pessoas e ainda vão demorar”, afirmou Conceição.
Histórico
A Tragédia da Hemodiálise ocorreu em 20 de fevereiro de 1996, quando morreu a primeira vítima de uma contaminação que atingiu 142 pacientes do Instituto de Doenças Renais. Em um período de um mês, mais de 70 pessoas morreram vítimas de infecções provocadas pela substância Microcystina LR, transmitida para os pacientes através da água contaminada. Até agora ninguém foi indenizado.
(Folha de Pernambuco).







