por Cristovam Buarque
Outro grupo – nem criado nem batizado – pode ter mais futuro do que o Bric. Trata-se de Finlândia, Irlanda, Coreia do Sul e Suécia, que podemos chamar de FICS. O que caracteriza esses países é o fato de deterem o principal capital do futuro: o conhecimento.
Se os países do Bric têm altas taxas de produção, consumo e participação no comércio internacional, os países do Fics fazem parte da elite educacional do mundo. A comparação entre os dados educacionais do Bric e do Fics mostra a enorme diferença.
Enquanto os países do Fics ficam entre o 1ª e 22ª lugares, os do Bric estão entre a 34ª e a 52ª posições, na avaliação da educação feita pela OCDE (Programa Internacional de Avaliação de Alunos – Pisa) em 57 países, analisando o desempenho em leitura, matemática e ciências. Enquanto no Fics as taxas de conclusão do Ensino Médio ficam entre 62% e 91%, no BRIC ficam entre 15% e 57%.
Todos os países do Fics têm 100% de sua população adulta alfabetizada, mas no Bric – com exceção da Rússia, que também atinge 100% – as taxas variam de 94% a 66%.
Os países do Fics têm posição modesta na produção global, apenas 2,97% do PIB mundial, mas participam com 5,41% do total das exportações.
Graças à boa educação de base, os Fics produzem e exportam cada vez mais bens com alto conteúdo científico e tecnológico, enquanto os Brics exportam principalmente bens agrícolas e minerais, produtos da indústria têxtil e mecânica com baixo teor de beneficiamento, produtos esgotáveis, como petróleo e gás, ou mesmo simples bugigangas.
A realidade mostra as vantagens do Fics sobre o Bric: a renda per capita dos primeiros é 4,9 vezes maior que a dos últimos. O índice de Gini (quanto mais próximo de 1, pior é a distribuição de renda) do Bric varia de 0,550 (este, o pior, é do Brasil) a 0,370, ao passo que no Fics, fica entre 0,250 e 0,343.
Mas é sobretudo o indicador de futuro que coloca esses países em condições superiores. O Fics tem território insignificante, pequena população, consumo e produção baixos, reduzida participação no comércio internacional. Mas em uma economia cada vez mais baseada no valor do conhecimento, o futuro será muito mais brilhante para o Fics, se comparado com o atraso educacional do Bric.
Daqueles, Coreia e Irlanda iniciaram suas revoluções há poucas décadas.
é professor da Universidade de Brasília e senador pelo PDT/DF.








