A história da fundação da grande maioria dos partidos políticos brasileiros está marcada bem mais por interesses pessoais do que ideológicos. Mesmo assim, aqueles que tiveram seu nascimento político estigmatizado por um processo histórico centrado na ideologia, ao longo dos anos, não escaparam de uma crise de identidade.
Fruto dos chamados trabalhadores do ABC paulista, da ala alcunhada de progressista da Igreja Católica e de uma parcela significativa de famigerados intelectuais de esquerda, nascia no Brasil há 30 anos o Partido dos Trabalhadores e, com ele, uma nova forma de encarar os problemas políticos nacionais e internacionais.
A política sindical e a ética na política apresentavam-se como os carros-chefes da luta petista. O zelo pela ética era tão acendrado que o partido gozava de certa antipatia, já que o discurso era carregado de uma certa influência dos maniqueus, cuja trincheira se dividia entre aqueles que realmente lutavam pelos interesses do povo e os que usurpavam esses direitos.
Assim, estabelecia-se uma luta constante entre o bem e o mal, desconsiderando a concepção de Sartre no que diz respeito ao poder público. Aliás, as teorias da política, na maioria das vezes, servem apenas para constar nos programas partidários.
Assim, estabelecia-se uma luta constante entre o bem e o mal, desconsiderando a concepção de Sartre no que diz respeito ao poder público. Aliás, as teorias da política, na maioria das vezes, servem apenas para constar nos programas partidários.
Na esfera legislativa, era visível o crescimento do PT nas primeiras eleições disputadas, mas se tratando de poder executivo, em 1985, o partido logrou êxito na cidade de Fortaleza, sendo a primeira capital de um Estado administrada pelo intitulado “modo petista de governar”.
Depois de três derrotas consecutivas para a síndrome dos Fernandos, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu o objetivo, ou seja, chegar à Presidência da República. Entretanto, o ônus da vitória tornou-se visível em pouco tempo.
A nomeação do atual presidente do Banco Central passou a ser objeto de questionamento por parte de alguns militantes históricos do partido, dentre eles a professora Heloísa Helena, que à época exercia o mandato de senadora pelo Estado das Alagoas.
A nomeação do atual presidente do Banco Central passou a ser objeto de questionamento por parte de alguns militantes históricos do partido, dentre eles a professora Heloísa Helena, que à época exercia o mandato de senadora pelo Estado das Alagoas.
Os anos foram passando, e o fantasma do poder cada vez mais assustando o PT. Não é debalde afirmar que o que se tem no Brasil não é um governo petista, mas um amplo arco de alianças. Talvez isso seja um dos maiores problemas que o partido vem enfrentando, pois em nome da tão chamada governabilidade, viu-se na necessidade de ampliá-las (as alianças) para poder manter-se no poder.
Por Hely Ferreira,
Cientista Politico.








