
(Querem execrar o jogador Diego Costa por estar jogando pela seleção da Espanha - Foto: Reprodução / Internet).
Por Hely Ferreira
Os fatos históricos geralmente ganham notoriedade por serem contados por aqueles que foram vitoriosos. Não é debalde a acusação que se faz a Calabar sempre o apresentando como um traidor. Acontece que à época do fato, o Brasil não era independente e Portugal estava subordinado à Espanha, consequentemente, o Brasil, também. São fatos assim que precisam ser relembrados para que não tenhamos uma postura de antagonismo contra alguém ou a algo sem uma análise mais acendrada. Da mesma forma, alguns querem execrar o jogador de futebol Diego Costa por estar jogando pela seleção espanhola, afirmando que ele não é patriota.
Será? O que é patriotismo? Caso ele não tivesse se naturalizado espanhol, seria convocado para jogar pela Seleção brasileira? Se seria, o que levou o técnico a não o convocar quando da contusão de Fred? Acusar Diego Costa de traidor da pátria é algo leviano, pois se for assim, o que dizer de Luiz Felipe Scolari quando treinou a seleção de Portugal? O que dizer de Carlos Alberto Parreira, que treinou na última Copa a seleção da África do Sul? E Bebeto de Freitas, que era o técnico da seleção brasileira de vôlei, quando conquistou uma medalha de prata nas Olimpíadas e, anos depois, o mesmo Bebeto foi campeão mundial de vôlei treinando a seleção italiana? São antipatriotas por ter prestado seus serviços a outros povos? Se o atual treinador da seleção canarinha, juntamente com seu auxiliar técnico, fossem coerentes, viriam a público pedir aos torcedores que respeitassem a vontade do atleta.
Por trás de toda essa celeuma, existe um Diego Costa que patrocina um projeto com crianças carentes em seu estado de origem, ou seja, aqui no Brasil. Demonstrando sua preocupação com o seu semelhante e se agindo como um verdadeiro patriota, algo que jamais tivemos notícias por parte daqueles que quando não repudiam de forma explícita a opção do jogador, tornam-se cúmplices optando pelo silêncio.
Por Hely Ferreira,
Cientista Político.








