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Recife

Trabalhador mais infiel ao emprego

  • Lissandro Nascimento
Trabalhador mais infiel ao emprego

OPORTUNIDADES Mercado de trabalho aquecido termina elevando a rotatividade dos profissionais no Brasil em busca de melhores salários e funções mais atraentes para atuar

Jornal do Commercio

O trabalhador brasileiro está mais infiel ao empregador. A queda nas taxas de desemprego e o apagão de mão de obra está provocando uma espécie de dança das cadeiras no mercado. Levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Dieese aponta que é cada vez maior o número de pessoas que mudam de emprego com pouco tempo de casa. E também está escasseando o contingente de profissionais que permanecem mais de cinco anos no mesmo trabalho. A tendência nacional encontra em Pernambuco um exemplo emblemático.

O ritmo de crescimento acelerado da economia e a explosão das oportunidades de emprego contribuíram para mudar o cenário do mercado de trabalho no Estado. De um lado, o empregado comemora recorde de emprego, ganho salarial, melhoria da renda e perspectiva de consumo. Do outro, o empregador enfrenta a guerra desenfreada por profissionais, investe em qualificação e amarga a alta rotatividade.

Âncora do desenvolvimento econômico do Estado, o Porto de Suape é ao mesmo tempo redenção e pesadelo. Empregadores reclamam de perder equipes inteiras para trabalhar no complexo. A rotatividade vale para a empregada doméstica que consegue emprego numa cozinha industrial ou de técnicos até para executivos que decidem migrar.

O levantamento do MTE mostra que está crescendo o percentual de funcionários que deixam a empresa quando estavam com, no máximo, um ano de atuação. Em abril de 2012 (última informação disponível), essa taxa foi de 16,7%. Na análise de anos anteriores essa debandada era menor. Em 2006 a taxa foi de 13,3% e em 2009 de 14,7% (veja arte acima).

A figura do funcionário veterano, aquele que vestia a camisa e criava raízes na empresa, também está diminuindo. A taxa dos empregados com mais de cinco anos de casa está em queda. Enquanto em 2006 era de 41,9%, neste ano já está em 36,4%. Na avaliação do economista Jorge Jatobá, essa onda do aquecimento do mercado de trabalho está criando um novo perfil de empregado, menos compromissado com o idealismo de se manter na mesma empresa e mais preocupado com ganhos pessoais.

Mas a máxima não vale apenas para o trabalhador assalariado. Pesquisa realizada pela Michael Page mostra que os executivos também estão inclinados a mudar de emprego. O levantamento foi realizado com 2 mil desses profissionais no primeiro trimestre. O resultado apontou que 73% deles pretendem mudar de emprego em 2012 – índice 12 pontos superior ao ano passado.

O diretor executivo da Michael Page no Brasil, Marcelo de Lucca, diz que o aumento do desejo de mudar de emprego está relacionado à falta de perspectivas de crescimento dentro das companhias. “Em comparação a 2011, existe pessimismo quanto ao futuro nas empresas atuais em diversos setores”, diz.