
Foto: Clemilsom Campos/JC Imagem
JC Online
Enfrentando dias tensos desde o fim de 2012, quando o prefeito eleito, Pão Com Ovo (PRTB), foi enquadrado como “ficha suja”, a cidade de Primavera, na Mata Sul, viveu nessa terça-feira o ápice do acirramento político. Segundo colocado na eleição de outubro, o ex-prefeito Galego do Gás (PR) tomou posse em uma Câmara de Municipal praticamente vazia. Apenas quatro vereadores que o apoiam deram o ar da graça. O maior contingente era e de policiais do Grupo de Apoio Tático Itinerante (Gati), chamados para conter os ânimos da militância que tomava conta da principal avenida da cidade. Desde que o desembargador do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) Roberto Morais determinou, em decisão liminar tomada na última segunda-feira, que o segundo colocado deveria ser nomeado prefeito, o clima de guerra se instalou em Primavera.
Nessa terça-feira, a confusão começou por volta das 10h da manhã, com o corte da energia em todo município (Saiba mais AQUI). Rômulo César Peixoto, conhecido pela curiosa alcunha de Pão com Ovo, estava trabalhando normalmente na sede da prefeitura quando foi surpreendido com chegada de Adeíldo Gouveia da Silva, Galego do Gás. De posse de uma decisão de Márcio Araújo dos Santos, juiz da 31ª Zona Eleitoral, Galego tomou posse na Câmara de Vereadores e rumou para prefeitura, disposto a sentar na cadeira do rival.A vice de Pão com Ovo, Tânia Barros, sustenta que a posse é ilegal, uma vez que, pela Lei Orgânica Municipal, ela somente pode ser concedida pelo presidente da Câmara de Vereadores, que estava ausente da cidade em virtude do recesso parlamentar. “Isso foi uma manobra para querer nos tirar da prefeitura antes desse processo terminar. Vamos recorrer da decisão quantas vezes for possível”, assegurou Tânia, que é advogada. Os militantes que apoiam Pão com Ovo querem uma nova eleição, porque entendem que, seja quem for o escolhido dele para disputar – foi eleito com 50,46% dos votos válidos – sairá vencedor.
Galego do Gás, que já exerceu três mandatos de prefeito de Primavera, assegura que respeitou o desejo da população e está voltando à prefeitura por um erro do adversário. Irritados com a posse em condições que afirmam ser questionáveis, os militantes de Pão com Ovo acusam Galego de ter cortado a energia na manhã dessa terça. “Quando eu cheguei para tomar posse a Câmara estava sem energia. Não fui eu e nem ninguém a meu mando. Só se foram eles, para evitar a minha posse”, rebate.
Pão com Ovo alega que nas 42 cidades do Brasil que tiveram problemas com prefeitos enquadrados após a aplicação da Lei da Ficha Limpa, com exceção da vizinha Água Preta, todos os municípios irão realizar nova eleição. O desembargador Roberto Morais comparou, em sua decisão, os casos das duas cidades. Destacou em sua decisão que Pão com Ovo não obteve mais de 50% dos votos, uma vez que na contagem do percentual considerou também os votos brancos e nulos.
O mesmo argumento foi utilizado em Água Preta, onde Armando Souto (PDT) foi cassado e assumiu o segundo colocado, Eduardo Coutinho (PSB), uma vez que o primeiro não tinha 50% mais um voto, como determina a legislação eleitoral. “O desembargador não pode contar votos brancos e nulos. Isso é inconstitucional. Apenas os votos válidos é que são computados num caso como esse”, destaca Tânia Barros.
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