BRASÍLIA – O plenário da Câmara ficou praticamente refém na sessão da noite de quarta-feira pelas galerias tomadas por policiais pressionando pela votação das propostas de emenda constitucional que fixa o piso salarial nacional da categoria e cria a polícia penal. Deputados identificaram falta de controle dos manifestantes, sentiram-se ameaçados e temeram uma onda de agressão.
A tensão crescente provocou a suspensão da sessão pelo presidente em exercício, Marco Maia (PT-RS), que só a retomou na madrugada de ontem e exclusivamente para encerrá-la, pois não havia condições de garantir a segurança na Casa.
O governo não aceita a fixação na Constituição dos valores do piso, assim como parte das bancadas partidárias. Para o governo, a exemplo do que foi feito no caso do piso nacional dos professores, a proposta de emenda constitucional deve apenas prever a criação de um piso e remeter para uma lei os valores a serem fixados.
Sem acordo, os líderes partidários haviam decidido, à tarde, não colocar as propostas na pauta, mas Marco Maia convocou uma sessão extraordinária incluindo os dois projetos na sessão: o que fixa um piso nacional provisório para os policiais civis, militares e bombeiros no valor de R$ 3.500 para soldados e de R$ 7 mil para oficiais para valer imediatamente, e o que cria a polícia penal.
O governo adotou a tática da obstrução para impedir a votação do projeto. “Quando perceberam o engodo, eles (os policiais) manifestaram a angústia. Houve uma comoção, porque se viram engodados”, disse o deputado Paes de Lira (PTC-SP), coronel da polícia militar de São Paulo e um dos interlocutores da categoria na Câmara.
(Jornal do Commercio).







