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Temperatura sobe 4 graus em Vitória de Santo Antão

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Publicado em 15.06.2010

Dados sobre mudança anormal no clima da cidade, na Zona da Mata, foram apresentados ontem. Cientistas avaliaram números dos últimos 40 anos

Pela primeira vez, pesquisadores registraram aumento anormal da temperatura em um município da Zona da Mata de Pernambuco, onde o índice pluviométrico é, em média, três vezes maior que no Semiárido. Os dados, que apontam 4 graus acima da média em Vitória de Santo Antão, a 49 quilômetros do Recife, foram apresentados ontem (14), em reunião sobre clima que ocorre na Fundação Joaquim Nabuco.
O cálculo se baseia na análise da temperatura do local nos últimos 40 anos.
O meteorologista Paulo Nobre, que anunciou o número durante palestra, explica que se trata de uma comprovação do alcance global das mudanças climáticas. “O aumento é, sim, por causa do aquecimento global”, sentencia. Nobre é responsável pelo Grupo de Modelagem Acoplada Oceano-Atmosfera do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, em Cachoeira Paulista (SP), vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Levantamentos anteriores realizados pelo Laboratório de Meteorologia de Pernambuco (Lamepe), em parceria com o Cptec-Inpe, apontam elevações superiores a 1 grau em Garanhuns, Arcoverde e Araripina. “Com o aquecimento global, as regiões mais úmidas, como a de Vitória de Santo Antão, enfrentam um processo de aridização, enquanto as semiáridas, como Araripina, passam pela desertificação”, esclarece Paulo Nobre. Ou seja, com as mudanças climáticas o Semiárido tende a virar um deserto e a Zona da Mata, um Semiárido.

O pesquisador prevê consequências na agricultura. “Determinadas culturas podem se tornar inviáveis ao longo de décadas”, antecipa. É que alterações da temperatura interferem na fisiologia da planta.
Paulo Nobre é um dos participantes de reunião preparatória da 2ª Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (Icid), que ocorre em agosto, em Fortaleza (CE).

O encontro, que prossegue até amanhã, é coordenado em Pernambuco pelo secretário-executivo de Recursos Hídricos do Estado, José Almir Cirilo. São 150 pessoas de segmentos como governos, organizações não-governamentais, institutos de pesquisa, universidades e comitês de bacia, que debatem problemas e soluções da região Semiárida. “Ações como proteção das nascentes e replantio da mata ciliar são um consenso. Mas isso não é suficiente para acompanhar o padrão de desenvolvimento atual. É sobre esses novos desafios que estamos discutindo.”

(Jornal do Commercio).