Dados sobre mudança anormal no clima da cidade, na Zona da Mata, foram apresentados ontem. Cientistas avaliaram números dos últimos 40 anos
O meteorologista Paulo Nobre, que anunciou o número durante palestra, explica que se trata de uma comprovação do alcance global das mudanças climáticas. “O aumento é, sim, por causa do aquecimento global”, sentencia. Nobre é responsável pelo Grupo de Modelagem Acoplada Oceano-Atmosfera do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, em Cachoeira Paulista (SP), vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Levantamentos anteriores realizados pelo Laboratório de Meteorologia de Pernambuco (Lamepe), em parceria com o Cptec-Inpe, apontam elevações superiores a 1 grau em Garanhuns, Arcoverde e Araripina. “Com o aquecimento global, as regiões mais úmidas, como a de Vitória de Santo Antão, enfrentam um processo de aridização, enquanto as semiáridas, como Araripina, passam pela desertificação”, esclarece Paulo Nobre. Ou seja, com as mudanças climáticas o Semiárido tende a virar um deserto e a Zona da Mata, um Semiárido.
O pesquisador prevê consequências na agricultura. “Determinadas culturas podem se tornar inviáveis ao longo de décadas”, antecipa. É que alterações da temperatura interferem na fisiologia da planta.
Paulo Nobre é um dos participantes de reunião preparatória da 2ª Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (Icid), que ocorre em agosto, em Fortaleza (CE).
O encontro, que prossegue até amanhã, é coordenado em Pernambuco pelo secretário-executivo de Recursos Hídricos do Estado, José Almir Cirilo. São 150 pessoas de segmentos como governos, organizações não-governamentais, institutos de pesquisa, universidades e comitês de bacia, que debatem problemas e soluções da região Semiárida. “Ações como proteção das nascentes e replantio da mata ciliar são um consenso. Mas isso não é suficiente para acompanhar o padrão de desenvolvimento atual. É sobre esses novos desafios que estamos discutindo.”







