Presidente da Câmara Federal espera votar a proposta amanhã
BRASÍLIA (Agência Brasil) – O projeto de lei que amplia os casos de inelegibilidade de políticos, com a proibição da candidaturas de pessoas que respondam a processos judiciais, deve ser colocado em votação amanhã na Câmara dos Deputados. A intenção do presidente Michel Temer (PMDB-SP) é votar a urgência e, caso seja aprovada, convocar uma sessão extraordinária exclusivamente para apreciar o Projeto Ficha Limpa.
Para alguns parlamentares, como o líder do Democratas (DEM), Paulo Bornhausen (SC), a pressão social tem repercutido na Casa e acelerado as negociações. Ontem, foi realizada uma passeata no Rio de Janeiro, Pará e Rio Grande do Sul pela aprovação do projeto. Até amanhã, estão previstas manifestações e coletas de assinaturas em cidades de São Paulo e do Pará.
“O que vem acontecendo é uma expressão da opinião pública. A sociedade montou uma agenda (de prioridades) e agora cobra uma atitude do Congresso Nacional”, afirmou o líder do DEM, que considera possível a votação da matéria nesta semana. Para ele, se o texto não for alterado no Senado, o Projeto Ficha Limpa tem todas as condições de ser aprovado pelo Congresso até junho.
Caso contrário, Paulo Bornhausen ressaltou que o Parlamento será o maior prejudicado por não conseguir deliberar sobre um tema imposto pela própria sociedade e que fatalmente repercutirá nas eleições de outubro. “O maior prejudicado será o Congresso como um todo, não só os candidatos”, argumenta.
O deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), no entanto, é mais cauteloso. Ele reconhece a importância das manifestações e seus impactos nos congressistas. Entretanto, o deputado considera fundamental que os líderes partidários apresentem um texto de consenso, apoiado pela maioria, que permita aprovar a matéria em plenário.
O petista considera difícil a votação do Projeto Ficha Limpa nesta semana. O que deve ocorrer, segundo ele, é uma intensa negociação entre os líderes para amarrar um texto de consenso e votar a matéria na próxima semana. Ricardo Berzoini alertou para a necessidade de evitar “injustiças”, com a ampliação dos casos de inelegibilidade.
MANIFESTOS
Cantando os versos “Bandido é pra cadeia, não é pro Congresso não’’ da música composta por Nelson Motta e Liminha, cerca de 200 pessoas fizeram uma passeata pela aprovação do projeto de lei “Ficha Limpa’’ na orla das praias de Ipanema e do Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro. De acordo com os organizadores da passeata, em todo o país mais de quatro milhões de assinaturas já foram reunidas para sua aprovação.
(Folha de Pernambuco).








