Visitas: 3

A Voz da VitóriaA Voz da Vitória
Recife

Taxa de resolução de homicídios em Pernambuco é uma das mais baixas do País, aponta pesquisa

  • A Voz da Vitória
Taxa de resolução de homicídios em Pernambuco é uma das mais baixas do País, aponta pesquisa

Os dados são da última pesquisa do Instituto Sou da Paz, divulgada nesta quarta-feira (8) no relatório Diagnóstico sobre Investigação de Homicídios no Brasil

As taxas de elucidação de homicídios em Pernambuco foram mais baixas do País, entre 2020 e 2023. O Estado acumulou, no período, um percentual médio de 33% de esclarecimentos do crime, figurando a 17ª posição do ranking nacional. Em relação ao Nordeste, ficou na frente da Bahia, Piauí e Ceará.

Os dados são da última pesquisa do Instituto Sou da Paz, divulgada nesta quarta-feira (08.07) no relatório Diagnóstico sobre Investigação de Homicídios no Brasil. O levantamento comparou os índices de elucidação de homicídios nas unidades federativas e cruzou as informações com os níveis de homicídio por arma de fogo, posse ilegal e atividades de facções criminosas.

As análises foram baseadas exclusivamente nos dados oficiais sistematizados pelo Instituto Sou da Paz, obtidos junto aos Ministérios Públicos e Tribunais de Justiça estaduais.

Pernambuco obteve, em 2020, uma taxa de 36% de elucidação de crimes, caindo para 34% em 2021. Em 2022, o Instituto não conseguiu obter informações, mas em 2023 a taxa havia descido ainda mais, para 30%, o que explica a média de 33% ao longo dos quatro anos analisados.

Principais fatores

De acordo com a pesquisa, um dos fatores determinantes pode ser atrelado aos inúmeros casos de mortes violentas intencionais (MVI). Em 2023, Pernambuco figurou em terceiro lugar no ranking nacional de MVI, com 3.638 ocorrências, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro (4.270) e da Bahia (6.578).

O Estado permaneceu em terceiro nas listas de taxa de MVI por 100 mil habitantes, com 40,2, e ainda mais no ranking de taxa de homicídio por 100 mil habitantes na população jovem, com 82,2. A unidade federativa também teve um alto percentual de homicídios por arma de fogo por 100 mil habitantes, com 81%, mesmo estando em 6º lugar. Todos os estados precedentes são do Norte e Nordeste.

O levantamento definiu os fatores que, correlacionados, ajudam ou atrapalham na elucidação dos homicídios. Os pontos que, quando cruzados com os níveis de homicídio, fazem cair as resoluções são: índice de Gini; percentual de analfabetismo; taxa de homicídio de jovens 15 a 29 anos; taxa de homicídio com arma de fogo; percentual de desocupação; e percentual de boletins de ocorrência de homicídio doloso.

“Em conjunto, esses resultados apontam que ambientes marcados por alta letalidade e desvantagens socioeconômicas tendem a impor barreiras relevantes à elucidação, tanto no plano prático da investigação (produção de provas, acesso a testemunhas, identificação de suspeitos) quanto no plano social, associado à retração da cooperação comunitária, medo de retaliação e menor confiança institucional“, diz o estudo.

Dados do governo são diferentes

A reportagem procurou a Secretaria de Defesa Social (SDS-PE) em busca de um posicionamento acerca dos resultados da pesquisa. A atual gestão não comentou os números relativos ao governo anterior – comandado por Paulo Câmara (ex-PSB) – mas deu números bem diferentes sobre o ano de 2023, primeiro ano de Raquel Lyra (PSD).

Nos parâmetros da Secretaria de Defesa Social, a taxa de resolubilidade das “Mortes Violentas Intencionais” foi de 60,2% (2023), 63,9% (2024) e 64,9% (2025). Nos primeiros seis meses de 2026, ainda de acordo com o órgão, as taxas estão em 52,5% de casos concluídos, com identificação de autoria e remetidos ao Ministério Público. Os números são da Gerência Geral de Análise Criminal e Estatística (GGace) da SDS.

“Ressalta-se que a atuação das forças policiais têm como objetivo não apenas identificar e prender os autores de homicídios, mas também desarticular as estruturas criminosas que financiam e sustentam esses crimes. Nesse contexto, as operativas vêm realizando operações de enfrentamento das organizações criminosas atuantes no Estado, envolvidas com o tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e homicídios. As operações têm resultado na prisão de executores e articuladores, bem como no isolamento de líderes já custodiados no sistema prisional“, disse a SDS, em nota enviada ao LeiaJá.

A SDS ainda citou o exemplo da primeira etapa da Operação Iara, deflagrada em maio, com a desarticulação da organização criminosa que utilizava a Ilha do Bananal, na zona oeste do Recife, como centro logístico para o tráfico.

“Já foram 17 pessoas presas; a retirada de circulação de um grande arsenal, incluindo fuzis, submetralhadoras; e uma estimativa de mais de R$ 5,2 milhões de prejuízo ao crime organizado”, informou o órgão.