Governo negocia um empréstimo bilionário para ajudar o setor a enfrentar os efeitos da pandemia mas garante que só será feito caso seja a melhor opção para o consumidor
por Katarina Moraes, Agência Estado
Consumidores de todo País, desde grande porte até clientes residenciais, devem arcar com maior parte dos custos da crise do novo coronavírus no setor elétrico. O impacto na tarifa vai depender de vários fatores, mas números iniciais, calculados pela associação dos grandes consumidores de energia (Abrace) e endossado por mais de 50 outras entidades, apontam uma alta de 20% nas contas de luz, a ser diluída ao longo de alguns anos.
A inadimplência tem atingido índices entre 10% e 12%, chegando a 20% em algumas localidades. Sem receber pagamentos, as empresas de energia não conseguem honrar suas despesas com transmissoras, geradores e até mesmo com o governo Federal, que recebe encargos e impostos.
O governo ainda está finalizando a forma como será feito o socorro ao setor elétrico, depois de integrantes do próprio Executivo e da Agência Nacional de Energia Elétrica rechaçarem incluir todo o custo do empréstimo bilionário, chamado de Conta-Covid, na tarifa.
Conta-Covid
O empréstimo é negociado com intenção de ajudar o setor elétrico a enfrentar os efeitos da pandemia. Segundo a secretária executiva do Ministério de Minas e Energia, Marisete Pereira, o financiamento, cujos valores são estimados em R$ 15 bilhões a R$ 20 bilhões, poderá diluir, em até cinco anos, o peso de itens que vão onerar as tarifas de energia dos consumidores.
“Só vamos fazer o empréstimo após uma avaliação que considere se essa opção, para o consumidor, é melhor do que um reajuste de duas casas decimais”, afirmou, em entrevista.
A conta de luz é composta por diversos itens, como geração, transmissão, distribuição, encargos e tributos. Desses, três devem contribuir com um aumento de 7% nos próximos meses. “Isso tem nos preocupado muito. Quase 60% da população foi afetada pela crise. Não há a menor condição ou ambiente para fazer isso “
Um dos componentes que vão aumentar é a tarifa de Itaipu, que é cotada em dólar. No ano passado, ela foi precificada considerando uma cotação média de R$ 3,94, e agora, o dólar subiu a R$ 5,24. “Só isso já aumenta a conta em 2% ou 3%”, alertou a secretária executiva. Marisete lembra também que as tarifas das transmissoras serão reajustadas a partir de julho. Além disso, as contas de luz vão ter de incluir a parcela para bancar subsídios e descontos tarifários, estimados em R$ 22 bilhões neste ano.
Como a pandemia afeta diretamente a renda dos trabalhadores, seja por redução de salários, seja por demissões, a ideia do governo é intermediar um empréstimo com um consórcio de bancos públicos e privados para que os recursos sejam pagos para as distribuidoras, evitando um reajuste neste ano.







