
O prefeito de Moreno, Vavá Rufino (PTB) é acusado de ter dado uma tapa num servidor que protestava no prédio da prefeitura. Foto: Arquivo
O tumulto ocorreu hoje pela manhã durante um protesto dos professores
Jornal do Commercio
Um protesto dos professores da rede municipal de Moreno culminou, nesta quarta-feira (25/07), em uma agressão física na qual o prefeito Vavá Rufino (PTB) deu um tapa no servidor Frederico Sales, segundo informações da presidente do Sindicato dos Profissionais em Educação de Moreno, Josineide Oliveira. “Isso ocorreu por volta das 12h30. Éramos cerca de 50 professores acampados na Prefeitura. Primeiro, o prefeito pediu para os guardas notificarem o carro de som. Depois, o prefeito saiu da sua sala, viu Frederico carregando a bateria de um sistema de som, deu uma tapa no servidor e ainda danificou o nosso equipamento”, resume Josineide.
O servidor vítima da agressão foi para a Delegacia do município e foi feita um Termo Circunstancial de Ocorrência (TOC). Ele também foi ao Instituto de Medicina Legal (IML) para fazer um exame de corpo de delito. “Mais quatro mulheres que têm cargos na prefeitura também bateram no servidor. Uma delas chegou a apertar o pescoço dele”, conta Josineide. Nos grupos de WhatsApp, circulou uma foto do prefeito Vavá Rufino muito exaltado com pessoas inclusive segurando ele. Mas as imagens do tumulto não continham agressão física.
Em paralisação desde o dia 20 de junho, os professores da rede municipal de ensino do município de Moreno realizaram um grande ato em frente à prefeitura da cidade nesta quarta-feira. A categoria deseja que a Prefeitura de Moreno pague o reajuste do piso nacional de professores de 6,81% que deveria entrar em vigor desde janeiro último. O governo do município propôs um reajuste de 2,95%, sendo questionado pela categoria. “Esse percentual foi definido pelo Ministério da Educação (MEC)”, de acordo com Josineide. Ela acrescenta que até o momento não houve qualquer aumento salarial.
ALEGAÇÃO
“A prefeitura alega que não pode conceder (o aumento) porque vai ultrapassar a Lei de Responsabilidade Fiscal, mas fizemos uma análise na folha de pagamento da prefeitura e há pagamentos com erros que somam R$ 146 mil. Se nosso reajuste fosse concedido, o impacto seria de R$ 112 mil”, argumenta a dirigente sindical. O sindicato chegou a propor um reajuste gradual, mas a proposta não foi aceita.
Cerca de 20 profissionais continuam acampados na Prefeitura. “A situação é difícil, porque não entra água nem comida”, revela Josineide. As aulas do segundo semestre deveriam ter sido iniciadas na segunda-feira (23/07), mas isso não ocorreu por causa da paralisação, de acordo com informações do sindicato.
RESPOSTA
Em relação aos fatos ocorridos na manhã desta quarta-feira (25/07), na sede do Governo Municipal, a Prefeitura do Moreno esclarece, via nota, as seguintes informações: Em 18 meses de gestão, a Prefeitura tem mantido um diálogo permanente com a categoria; a Prefeitura efetuou os pagamentos atrasados da categoria no início de 2017 (deixados pela gestão anterior); está mantendo todos os salários em dia atendendo, inclusive, com valores acima da lei do piso nacional; e no período de 2009 a 2018, o aumento dos vencimentos dos professores da Rede Municipal de Ensino foi 158%, quando a inflação ficou em 107%.
Ainda de acordo com a nota, a Prefeitura de Moreno compromete mais de 54% da receita corrente líquida com pagamento da folha de pessoal e está impedido pela Lei de Responsabilidade Fiscal de promover qualquer aumento salarial. Segundo a prefeitura, os membros do sindicato ocuparam o prédio sede da prefeitura com provocações, agressões à funcionários e a tentativa de instalar equipamentos de som nas dependências internas da prefeitura.
Conforme informações da Prefeitura de Moreno, o prefeito Vavá Rufino apenas tentou explicar aos membros do sindicato que a atitude dos mesmos estava provocando tumulto no ambiente de trabalho e em nenhum momento houve qualquer tipo de agressão por parte do prefeito.







