por Hely Ferreira*
A trajetória política nacional sempre entendeu que as entranhas do poder deveriam ficar com o sexo masculino. Durante séculos, o papel da mulher restringia-se às prendas domésticas. Na verdade, a visão aristotélica de que a virtude da mulher está no silêncio, aqui no Brasil foi aplicado de forma tenaz.
No ano de 2002, o Brasil conseguiu superar um dos estigmas da sociedade espúria, elegendo um ex-metalúrgico e sem nenhum curso superior à presidência da República. O sucesso de Lula nas urnas levou a um realinhamento das chamadas forças conservadoras, que ao longo dos anos exerceu influência e consequentemnte ditou regras de conduta.
Contrariando aos que desejavam o fracasso do seu governo, Lula, mesmo com suas imperfeições, entrou para a história política brasileira como o governante de maior popularidade. Tanto é que apresento
u uma candidata para sucedê-lo, desconhecida da grande maioria do povo, onde além do desconhecimento, pesava e pesa em si o fato de ser mulher.
Desejoso em demonstrar que a mulher tem a mesma capacidade do homem, a senhora Dilma trouxe para o seu governo várias pessoas do sexo feminino. Ora, o critério para escolha não deve ser inerente à questão sexual, mas à competência.
Certamente, se John Knox estivesse vivo e residindo no Brasil, a presidenta não teria sossego. Entretanto, não estamos vivendo no final do século XVI ou início do XVII, e sim em uma época chamada de pós-moderna, onde se discute temas como meio ambiente, erradicação da pobreza, e esses problemas não se resolvem pela sexualidade, mas com coragem e competência.

por Hely Ferreira,
*Cientista político.







