Publicado em 04.03.2010
Com a presença de um neto do abolicionista, cuja morte completa 100 anos, Legislativo do Estado realiza primeira grande homenagem a seu patrono
A Assembleia Legislativa realizou ontem o primeiro grande evento para marcar o centenário da morte do patrono do Legislativo estadual: o abolicionista, diplomata, político, escritor e jornalista Joaquim Nabuco. O advogado José Thomaz Nabuco Filho, 73 anos, neto do abolicionista, foi o convidado de honra e representou a família Nabuco em dois atos solenes.
O primeiro, a colocação de uma coroa de flores no busto de Joaquim Nabuco em frente ao prédio da Assembleia, na Rua da Aurora. Logo em seguida, houve uma sessão no plenário com a entrega de uma placa alusiva ao ato a Thomaz Nabuco como parte das comemorações do Ano Joaquim Nabuco.
A sessão motivou discursos engajados tendo como foco a exclusão racial e social atualmente no País, justamente as bandeiras de luta que marcaram a trajetória de Joaquim Nabuco. “Como Joaquim Nabuco avaliaria a situação do negro hoje? Certamente iria declarar que cada vez mais as universidades deveriam ser multirraciais e pela necessidade das cotas raciais”, declarou, em discurso, o líder do governo, Isaltino Nascimento (PT).
Em todos os pronunciamentos, o ponto mais destacado em Nabuco foi sua opção de vida: apesar de oriundo da elite, abraçou a luta contra a escravatura, contrariando interesses do grupo social ao qual pertencia. “Mesmo na condição de herdeiro de uma família da elite, Joaquim Nabuco não se acomodou e lutou a fim de pôr fim à escravidão”, reforçou o presidente da Assembleia, Guilherme Uchôa (PDT).
Thomaz Nabuco preferiu enfatizar a ligação do avô com Pernambuco, especialmente com o Recife, com base nas histórias contadas pela avó, Evelina Torres, casada com o abolicionista em 1889 e falecida em 1948. Ele relembrou que o avô colocou o nome do seu primogênito, nascido em Londres, de Maurício pela ligação com a capital pernambucana. “Foi uma homenagem a Maurício de Nassau”, contou. Noutra, revelou o que a avó disse quando Nabuco morreu, em 17 de janeiro de 1910, em Washington. “Se Pernambuco quiser ficar com seus ossos, que ninguém negasse”, disse. Ele foi sepultado no cemitério de Santo Amaro, no Recife.
Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo teve cinco filhos com Evelina Torres Soares Ribeiro. Mas apenas um deles, o caçula, casou-se: José Thomaz Nabuco, que por sua vez teve outros seis filhos, todos vivem no Rio de Janeiro.
Alunos do Ginásio Pernambucano e do Colégio Joaquim Nabuco participaram das homenagens. Na sessão solene, o quinteto da Orquestra Cidadã executou os hinos do Brasil e de Pernambuco. Os próximos eventos programados pela Assembleia em comemoração ao Ano Joaquim Nabuco serão em agosto, com a entrega de medalhas comemorativas.
Para marcar o centenário da morte do abolicionista, o Congresso Nacional aprovou a lei 11.946, de julho de 2009, instituindo 2010 o Ano Nacional Joaquim Nabuco.
(Jornal do Commercio).
(Jornal do Commercio).







