
A mulher de costas com a blusa da Polícia Civil é servidora do Estado, mas não é policial civil. Foto: divulgação/Sinpol.
Sob nova direção desde novembro de 2014, o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) está buscando reformular a entidade de classe e buscar melhorias para a categoria. Na última sexta-feira (30), a entidade recebeu uma denúncia anônima informando sobre desvio de função na delegacia de Agrestina, no Agreste de Pernambuco. Representantes do Sinpol foram ao local e identificaram que quatro dos cinco policiais eram funcionários de outras secretarias do Estado e estavam atuando de forma completamente ilegal como policiais civis, com direito a arma na cintura e farda da corporação. Na delegacia, havia apenas um policial. No mesmo dia em que houve o flagrante, foi registrado um homicídio, durante a festa do padroeiro da cidade.
Segundo o presidente do Sinpol, Áureo Cisneiros, os funcionários são concursados para secretaria de Educação e Saúde do Estado, mas um deles atua de forma ilegal há 13 anos na delegacia cumprindo a função de policial civil. De acordo com o levantamento do sindicato, o fato não é isolado e a entidade está mapeando outras unidades que tem casos semelhantes.
“Eles não poderiam atuar na festa, além de não serem policiais, eles não têm treinamento”, afirmou Cisneiros. O relatório da denúncia será encaminhado à Corregedoria da Polícia Civil e à Secretaria de Defesa Social (SDS).
Ao criticar o desvio de função, o presidente do Sinpol alerta que o déficit no efetivo é um dos fatores que contribuem para a existência de casos semelhante ao descrito na denúncia. “Nós estamos trabalhando no limite, com 40% do nosso efetivo. Já estamos falando sobre isso desde dezembro. A Polícia Civil vai entrar em colapso. Aliás, a entidade já está em colapso”, disparou.
Números divulgados pelo Sinpol apontam que, atualmente, Pernambuco tem efetivo de 4.900 policiais. O necessário, segundo a entidade, é 10.500 funcionários. O salário bruto inicial é de R$ 3.200.
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