Uma nota técnica divulgada pelo Dieese este mês, com o balanço dos reajustes salariais de 2017, só reforça o que já vem sendo mostrado pelas entidades sindicais de servidores públicos. A categoria tem o pior resultado em termos de recomposição salarial. Os trabalhadores de empresas públicas não garantiram, sequer, a inflação do período e os estatutários (regidos pelo RJU) tiveram reajuste zero.
Segundo o Dieese, dos reajustes salariais analisados, 63% resultaram em ganhos reais ao salário com base no INPC, embora em patamares baixos. Cerca de 80% dos reajustes chegaram até 1% acima da inflação e o restante até 0,5%. Já 29% das negociações conquistaram apenas o índice inflacionário e 8% dos acordos coletivos ficaram inferiores à inflação. Destes, 44% registraram perdas de até 0,5% e 65% de até 1%.
Pegando como recorte empresas públicas como Conab e Ebserh, a perda foi pior do que setores da indústria, comércio e serviço. Na Ebserh, os ACTs 2017/2018 e 2018/2019 foram fechados este mês com duas data-bases vencidas. Embora tenham conseguido o IPCA em 2017, tiveram que abrir mão de 30% do retroativo ao qual teriam direito. Já nas negociações de 2018, só conseguiram 80% do IPCA. Na Conab a situação é mais delicada. Com a data-base vencida em setembro passado, até agora não se conseguiu fechar acordo com a empresa, que insiste no reajuste zero. No caso dos estatutários, não houve avanço nem na campanha salarial de 2017 nem na deste ano.
“Se a situação é difícil para os trabalhadores celetistas, que têm direito à negociação coletiva, imagina para os servidores públicos estatutários, que sequer têm um canal de negociação com o governo. Para reverter esse quadro, precisamos de mobilização e pressão para arrancar do Executivo o atendimento de nossas demandas”, lembra Elna Melo, a diretora do Sindsep e do Dieese-PE.
Sindicato dos Servidores Públicos Federais de Pernambuco – SINDSEP-PE







