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"Serra é um prepotente", afirma Bione

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Edvaldo Bione falou sobre o reajuste dos Aposentados e ainda sobre as eleições 2010.

Escute a Entrevista com Bione na íntegra.

Como acontece toda sexta-feira, o Médico Edvaldo Bione, Pré-Candidato a Deputado Estadual pelo PHS, participou de mais uma conversa semanal com o Apresentador Lissandro Nascimento no dia 11/06 no Programa A VOZ DA VITÓRIA, transmitido de segunda a sexta-feira das 6h às 8h pela Rádio Tabocas FM (98,5) em Vitória de Santo Antão.

O apresentador Lissandro Nascimento destacou as discussões quanto ao reajuste dos aposentados que ganham acima do salário mínimo no País, decisão que dependeu do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), destacando que hoje a Previdência Pública não é um problema tão somente do Governo, mas também dos próximos Governos, tendo em vista que o nosso País deixou de ser um País dos jovens como era na década de 70, para se tornar em um País da terceira idade, perguntando a Bione sua opinião a respeito da problemática previdência brasileira.

“Essa discussão passa obviamente muito mais longe, do que a decisão do Presidente Lula. Hoje o homem passa a ter uma expectativa de 72 anos de vida e a mulher com 77 anos, no Brasil muitas pessoas estão se aposentando muito cedo, pessoas hoje estão se aposentando aos 50 anos de idade, principalmente no serviço público, pois as aposentadorias são muito pesadas para previdência privada. Aqui no Brasil isso cresceu 2,4% nesse primeiro trimestre e se esse crescimento continuar pode chegar até 9% este ano, e podemos nos comparar à China, lá não existe previdência. Veja como é fácil o crescimento chinês, pois é absurdamente enorme o crescimento daquele País ao contrário do Brasil onde 17% de toda economia é arrecadada e passada à previdência”, comparou.

Para Edvaldo Bione “a previdência pública brasileira hoje se torna muita cara em todo o País em razão de 17% de toda Produção Interna Bruta é repassada para ela. Hoje o Ministério e a Previdência de Saúde são os principais orgãos com maiores números de recursos, e possivelmente o maior número de gastos no sistema público brasileiro, e sem dúvida os aposentados mereciam este aumento, em fatores de correções previdenciárias. Existem muitos fatores, a exemplo dos aposentados que se aposentam com dez salários mínimos, hoje em dia recebem três, e isso é muito ruim, obviamente você fica em condições de recebimento de ajuda de pessoas que participam do núcleo familiar”, constatou.

Considera que há sérias distorções: “Há hoje uma distorção em relação às pessoas que pagam a previdência, também nas empresas privadas, e cabe a sociedade querer entender as normas que são regulamentadas, nem mesmo os políticos que adotam as leis sabem entendê-la, de fato estas devem ser corrigidas. Sobretudo em algumas regras estabelecidas nas formas da previdência, por que existe muita gente ganhando muito e outros ganhado muito pouco”, salientou.
Comparando com a situação dos servidores do Senado: “Segundo o próprio presidente Sarney, houve 1.600 contratações no Senado, onde nem ele mesmo sabia (?!), com aumento salarial duas vezes mais, infelizmente nesse País em que vivemos ninguém nunca sabe de nada, principalmente aqueles que estão no poder, e isso dificulta o entendimento de quem está por dentro da mídia, que questiona em razão dessas brechas absurdas”.

Mudando a pauta de discussão, falando de política nacional, foi questionado o porquê da dificuldade de encontrar um vice para o presidenciável José Serra (PSDB).

Serra passou por ministérios, foi senador, é muito competente, mas é uma pessoa extremamente chata, pernóstico, prepotente e se considera muito importante, na avaliação do médico Bione.
“O vice é uma composição, quando a gente não conseguir fazer uma composição para que o vice seja uma pessoa próxima, pelo menos seja uma pessoa que compactue e traga uma condição de convergência para a chapa. Imagina você ser o vice presidente e Serra ser o presidente do Brasil! Acho que todo dia de manhã ele acorda pisando no pescoço do vice”, atirou.

Bione considera que uma pessoa como Aécio Neves (PSDB) que tem uma projeção nacional, tem um histórico político familiar importante, ele acredita que um dia vai ser presidente do Brasil.
Sobre a possibilidade de convocar Maciel de novo para ser vice, Bione comentou: “Marco Maciel ficaria bem em qualquer lugar. Ele é o vice ideal para qualquer pessoa, pois não romperia com ninguém”.

Ele lembrou que dificilmente se encontra um vice balançando a cabeça como uma lagartixa, disse que as pessoas quando assumem função pública, uma boa maioria devido à função de ser maior que ele acontece de um engolir o outro.
“Serra se acha quase um deus! Com a chance real de ser eleito conforme mostram até agora as pesquisas que prevê um empate entre Serra e Dilma. Já que os outros candidatos no máximo têm 10% de intenção de votos. Então ser vice de Serra não é coisa muito boa”, avaliou.

“A discussão política que prende essa eleição só vai acontecer depois da Copa. Está restrita ao grupo que discutiu. As pessoas não estão inteiradas do assunto devido à repercussão ainda ser pequena”. Ainda sobre o provável vice de Serra afirmou: “Ele está sem vice há um bom tempo, já foram convidadas várias pessoas e até agora ninguém aceitou o convite”, lembrou.

Quanto à alta popularidade do presidente Lula. “A despeito disso de não ter um governo tão popular quanto o de Lula ele se mantêm muito bem nas pesquisas mostrando uma força muito grande. As grandes forças políticas do País aprovam o governo Lula que detém em torno de 80%, mas só 30% dessas pessoas votam até agora em Lula ou em seu candidato”, contrastou.
Bione considera que isso mostra que os interesses pessoais ainda são muito maiores que os interesses do País.

No embate pernambucano, definido o clássico entre Eduardo (PSB) e Jarbas (PMDB), Bione considera que politicamente a oposição é muito pouco pragmática não tendo definição de que espaço quer marcar e o faz sem coerência.
“A gente sabe do esforço que o governo tem feito para Pernambuco se tornar um Estado melhor, embora algumas obras sejam virtuais. Agora a gente não pode deixar de enxergar que Pernambuco está crescendo e crescendo muito. Então, criticar Eduardo Campos por questões pessoais ou pontuais faz parte do contexto, agora fazer críticas por fazer como muitos partidos estão fazendo não é uma forma inteligente de se fazer política”, ponderou.

“Eu me lembro da fundação do PT que foi muito complicada. As pessoas que fundaram o PT radicalizavam, eram muito fundamentalistas. O PT conseguiu crescer na medida em que o partido foi fundamentando suas alianças, não precisava chegar a prática de fazer o mensalão como chegou a fazer, porém acho que extremaram e foram para o outro lado do ‘fundamentalismo’ da prática de outros partidos”, resignou.

O médico avalia que o PT conseguiu crescer e só conseguiu governar o País porque foi um partido que soube em alguns momentos fundamentais marcar posição e ser prático na medida em que precisava fazer e aumentar a sua representação junto ao povo.
Criticando atitudes como a do PSOL e PSTU que chegam ao revanchismo político. “Esse tipo de discurso acusatório sem propósito a sociedade não aceita, mas é por isso que esses candidatos a governador no final das eleições não tem votos suficientes nem para eleger um deputado estadual”, condenou.

Continuou: “O que acontece na verdade é que o Brasil não tem uma identidade ideológica. O Brasil como toda a sociedade exerce a democracia, ainda muito recente. Precisamos treinar e nesse treinamento conseguiremos um dia fazer um País melhor. É o que já está acontecendo hoje”.

Ele lembrou que as alianças são necessárias, pois do ponto de vista ideológico torna-se complicado visto que o PT elegeu cerca de 90 deputados na eleição anterior e hoje Lula tem ampla maioria na Câmara Federal, dependendo de outras bancadas.
“Pessoas que se elegeram por um partido e agora estão em outro. Quando são julgadas por infidelidade partidária alegam perseguição política que só foi percebida depois da eleição do cidadão”, questionou.

Comparando com o legislativo vitoriense. “Um exemplo local é a Câmara de Vereadores da Vitória de Santo Antão que a oposição fez maioria e agora a situação tem ampla maioria. Alguns vereadores não mudaram de partido, pois tiveram medo de perder o mandato”, afirmou Bione.

“A gente não consegue entender e a população termina absorvendo isso como se fosse uma coisa natural, mas não é. Às vezes alguns políticos precisam tomar certas atitudes que as pessoas por não entenderem devido a essa conjuntura que ocorre na nossa política, em decorrência de uma frágil ideologia”.

Segundo ele, há uma falta de identidade dos políticos e de partidos, principalmente os pequenos, que acabam sendo engolidos pelos maiores. Para ele, finalizando, essa é a razão que uma parte da população só participa da política em tempo de eleição, justamente para ver se consegue eleger o menos ruim.

Apresentação: Lissandro Nascimento.
Produção:
Jáder Siqueira, Orlando Leite e Cláudio Gomes.
Equipe: Emerson Lima, Berg Araújo, Genilda Alves.