Folha de Pernambuco
A novela chamada Usina Catende ganhou capítulos extras na tarde de ontem. O segundo leilão da massa falida da empresa também não teve lances, cujo arremate inicial era de R$ 65 milhões, ante os R$ 100 milhões do primeiro pregão, realizado em junho. Agora, caberá ao juiz Silvio Romero Beltrão decidir qual o próximo passo para solucionar o problema da Catende, que há 18 anos vem se arrastando em processo de falência. Isso, porém, só deve acontecer amanhã.
O magistrado garante que irá escolher aquilo que for melhor para a usina. “Não sei ainda o que farei, mas o próximo passo tanto poderá ser de arrendamento – e então abrirei período de análise das propostas dos interessados – como para a realização de outro leilão. Irei pensar para tomar uma atitude na quinta-feira”, enfatizou Beltrão.
Caso a determinação seja de arrendamento, há o real interesse da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) e do Sindicato dos Cultivadores da Cana-de-açúcar de Pernambuco (Sindicape) de apresentar uma proposta neste sentido, através da formação de uma cooperativa dos fornecedores de cana da região, conforme antecipado ontem pela Folha de Pernambuco. “Vamos formular a proposta base de arrendamento com opção de compra já na próxima semana para que o juiz da massa falida possa analisar”, afirmou o presidente da Unida, Alexandre Andrade Lima.
De acordo com o presidente do Sindicape, Gerson Carneiro Leão, a proposta da cooperativa deve ganhar o apoio da Casa Civil, que servirá como uma espécie de meio-campo entre as instituições e o juiz. “Existe o interesse do Governo de que a Catende permaneça no Estado. Então, vamos conversar com o secretário Tadeu Alencar (Casa Civil) para que ele possa auxiliar esse processo”, disse. Ambos os presidentes estão otimistas em relação à decisão de Beltrão.
Por enquanto, não há estimativas de valores para o arrendamento, nem período de tempo para que a compra seja efetivada. “Caso a Justiça acate o pedido, e se o modelo proposto for de cooperativa, entendemos que é uma nova filosofia na gestão da Catende que merece ser bastante considerada”, avaliou o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha. Para formalizar o arrendamento através de cooperativas é necessário que haja, no mínimo, 20 cooperados.






