Malaquias Filho afirmou que outro problema sério seria a falta de informação da população que às vezes tem como se alimentar, mas não tem uma formação ideal para fazê-lo de forma correta acarretando assim uma transição nutricional.
Ao se despedir o professor comentou que essa crise atravessada recentemente teve uma conotação benéfica, “pois serviu para que as autoridades mundiais refletissem sobre a fragilidade da economia do planeta, porque bastou uma crise financeira na área da habitação dos Estados Unidos para o mundo sofrer e reconhecer que ainda somos frágeis, e de repente se deu conta de que tem mais de um bilhão de pessoas correndo risco de segurança alimentar em nosso planeta”, lamentou.
Após a explanação do professor Malaquias Batista, o apresentador Lissandro Nascimento deixou os participantes à vontade para suas considerações sobre o tema exposto.
Para o professor Sebastião Rogério “o problema da segurança alimentar não está apenas nos países pobres onde o povo passa fome, ele está perto de todos que tenham poder aquisitivo ou não”, lembrou.
Salientou que o problema principal é a carência de alimentos na mesa do cidadão. Um problema relativo é a qualidade do alimento oferecido ao cidadão: “Muitas vezes a pessoa não tem uma carência absoluta, o alimento está presente, mas a qualidade higiênica sanitária alerta se ele foi produzido com excesso de agrotóxico, além do tipo de aditivos utilizados para preservá-lo. Tudo isso entra no contexto do tema segurança alimentar, não adianta apenas dar o alimento tem que se garantir a qualidade do mesmo”, destacou.
“Quando se fala nesse tipo de agricultura a gente só pensa na possibilidade de manter o proprietário e sua família nas suas terras, evitando os grandes problemas sociais acarretados pela falta de infra estrutura que esse povo encontra quando superlota as periferias das grandes cidades em busca de uma nova chance”, advertiu. “O homem ficando no campo resolve diversos problemas sociais entre eles a questão alimentar”, completou.
Dando seqüência a Mesa Redonda, Lissandro Nascimento solicitou ao professor Leandro Finkler uma breve descrição de suas atribuições enquanto engenheiro de alimentos.
Segundo o professor, o engenheiro de alimentos é responsável pelo fornecimento de alimentos adequados a determinada população de acordo com suas necessidades.
“Há determinados grupos que tem restrições a determinados componentes que existem nos produtos, então cabe ao engenheiro retirar de maneira adequada esses componentes sem afetar as qualidades do mesmo”, esclareceu.
Outra grande preocupação do profissional da área de alimentos é saber como os mesmos estão sendo produzidos quanto à aplicação de pesticidas, que tipo de componentes estão colocando na ração dos animais de corte etc.
“Há uma grande preocupação no momento sobre a produção dos produtos trangênicos, quanto à segurança e garantias de não haver problemas futuros”, mencionou.
“Há necessidade de se ver a segurança alimentar focada na garantia do alimento, a partir do momento em que você tem uma planta e um determinado inseto pousa nela e existe nesta planta uma toxina que elimina o mesmo, temos que saber qual vai ser o impacto ambiental que isso pode causar”, alertou o professor.
Indagado sobre o desperdício de alimentos e o fato de pessoas que tem como se alimentar e não faz por falta de conhecimentos o professor Leandro adiantou para os ouvintes que a CAV-UFPE está elaborando cursos de aproveitamento e conservação de alimentos visando dar mais tempo de armazenamento sem a perda de suas propriedades.
“Devemos ficar alerta, pois Vitória de Santo Antão já foi observada como uma grande utilizadora de defensivos agrícolas, isso não é bom para a aceitação de seus produtos”, mencionou.
Para ele, um fato que chama a atenção referem-se aos hábitos alimentares atuais dos habitantes da área rural vitoriense.
“Atualmente o cidadão do campo produz, colhe, comercializa seus produtos e com os ganhos compram alimentos industrializados e leva para seus familiares consumir, e não guarda nada de sua produção para consumo próprio, adquirindo assim hábitos alimentares conhecidamente urbanos”, citou.
“A Secretaria de Agricultura está com um projeto de reeducação alimentar incentivando o produtor rural a consumir seus próprios produtos que são saudáveis e nutritivos”, divulgou.
Encerrando sua participação Enásio comentou sobre o plano de aquisição de alimentos que a Prefeitura do Município junto com o governo federal estão desenvolvendo para os pequenos agricultores que é a compra de sua produção através da Conabe e em seguida estes produtos são entregues nas escolas do município para fazer parte do programa de merenda escolar.
Produção: Jáder Siqueira, Orlando Leite, Cláudio Gomes.






