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Secretários aprovam Enem para professor

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Publicado em 26.05.2010

A notícia da aplicação de uma avaliação nacional para professores entrarem na rede pública de ensino, realizada pelo Ministério da Educação (MEC) e que poderá substituir concursos públicos, foi bem recebida por secretários de Educação em Pernambuco.

O JC ouviu os titulares das pasta do Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes, além da secretária-executiva do Estado.

Eles destacaram, como pontos positivos, a possibilidade de o exame mostrar como está a formação docente nas universidades. Destacaram a participação dos professores e adesão de Estados e municípios serem facultativas, mas ressaltaram a necessidade de o governo federal ser rigoroso na operacionalização do exame, para evitar problemas como no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) do ano passado, quando houve tentativa de fraude.
A portaria que instituiu o Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente, publicada no Diário Oficial anteontem, está disponível no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep): www.inep.gov.br. A prova será aplicada todos os anos e começa em 2011.
Primeiro, valerá para professores da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental, mas o MEC pretende expandir a avaliação para os docentes das séries finais do fundamental e do ensino médio. O formato do exame não está definido. Para ajudar na elaboração das matrizes que vão compor a avaliação, o Inep abriu consulta pública. Na página do órgão, qualquer pessoa ou instituição pode opinar e dar sugestões, até julho.

“É importante que, paralelamente à avaliação, haja políticas para corrigir o que o exame vai mostrar. Sabemos que a formação dos professores é um dos grandes problemas, pois muitas vezes está dissociada da realidade”, diz a secretária de Educação de Olinda, Leocádia da Hora. “Acho ótima a ideia da avaliação nacional. Poderemos monitorar a qualidade dos cursos”, observa a secretária de Educação de Jaboatão, Mirtes Cordeiro.

Titular da educação no Recife, Claudio Duarte destaca a necessidade de o exame levar em conta as particularidades regionais. “A avaliação reforça a carreira nacional docente e aponta para a valorização do professor, como aconteceu com a implantação do piso salarial do magistério”, afirma. “O exame vai nos dar parâmetros para elaboração das políticas de formação de professor. Mas é preciso que represente a realidade brasileira”, enfatiza a secretária-executiva de Educação do Estado, Aída Monteiro.

Professor da Escola Estadual Sizenando Silveira, José Elisomar Cardoso, 40 anos, na rede estadual há quatro, acha que a avaliação não significará que os bons professores serão reconhecidos e não garantirá a qualidade dos profissionais.

“É o mesmo que avaliar um aluno apenas pela nota que ele tira em uma prova. Além disso, discordo desse método porque o professor iniciante, aquele que ainda não fez nenhuma prova de concurso, ficará em desvantagem em relação aos outros. O ideal é manter a pós-graduação como critério para aumentar a nota”, diz.
(Jornal do Commercio).