Jornal do Commercio
Se, para muitos, a decisão do PT de anular a prévia “suspeita” e marcar uma outra para daqui a nove dias foi a mais correta, para outros, o partido apenas resolveu prolongar não mais o sangramento, mas a quase hemorragia em que se já encontra. Na visão do cientista político e integrante do Núcleo de Estudos Eleitorais e Partidários da UFPE, Hely Ferreira, “quanto mais se demora nesse processo, mas você vê o sangue jorrando no PT”. Pior: o fato de a eleição do domingo passado ter sido invalidada indica “uma preferência” da Executiva Nacional da legenda em relação a quem deve ser o candidato petista à Prefeitura do Recife”.
“O problema é o seguinte: na hora em que existe uma eleição interna e o partido desmancha tudo o que foi feito, parece que o resultado não agradou aos dirigentes”, acredita Ferreira, que prossegue: “Por que a prévia foi anulada? Acusam o grupo do prefeito João da Costa de ter provocado irregularidades. Mas o próprio direito diz que não é o acusado que tem que provar que é inocente, e sim o acusador que deve provar que o outro é culpado”.
No entanto, na visão do acadêmico, também existem outros os problemas que o partido enfrentará até a nova primária. Especialmente, tirar mais uma vez o filiado de casa para votar. “Voto facultativo é sempre difícil, especialmente no Brasil. Houve uma época em que o PT teve grande capacidade de mobilização, mas a situação agora é diferente, mudou muito”, observa.
Na primária realizada no último dia 20, dos mais de 30 mil militantes que tinham direito a voto – após o festival de liminares na Justiça –, só 14 mil foram votar. Desta vez, pela determinação da Executiva nacional, serão os 21 mil filiados da primeira lista apresentada antes da prévia passada que poderão votar. O desafio dos candidatos, agora, não é apenas angariar o maior número possível de simpatizantes. Mas tirá-los de casa.







