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Recife

Salão da Cachaça começa na quinta-feira

  • Marcio Souza
Salão da Cachaça começa na quinta-feira

JC Online

“Abrideira, companheira e saideira”. É desta forma que o Salão Internacional da Cachaça quer que a bebida seja conhecida entre produtores, importadores e grande público. O evento – que ocorre de amanhã à sábado no Centro de Convenções de Pernambuco – reunirá mais de 60 expositores de todo País, além de importadores de cinco nações (Estados Unidos, Canadá, Itália, Peru e Argentina) para apresentação de produtos, parcerias e rodadas de negócios.

O Salão ainda contará com aulas-show com chefs de cozinha para ensinar o público a harmonizar a cachaça com pratos de diversos tipos. Aberto a qualquer pessoa maior de 18 anos (meia entrada a R$ 5), o encontro espera movimentar entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão nos próximos 12 meses.

O Salão não serve apenas para realização de negócios. Quando falamos que a cachaça é ‘abrideira, companheira e saideira’, queremos dizer que é um produto a ser degustado, tanto quanto o vinho ou o uísque, e que se harmoniza com qualquer tipo de prato. Vamos mostrar essa realidade tanto ao grande público quanto aos donos de restaurantes”, esclarece a diretora executiva da Associação Pernambucana dos Produtores de Aguardente de Cana e Rapadura (Apar), Margareth Rezende. A Apar é a realizadora do evento. O Estado é o segundo maior do País em consumo e exportação da bebida. Só fica atrás, nos dois casos, de São Paulo.

A expectativa da entidade se concentra especialmente na negociação com importadores. Durante o Salão, o Instituto Brasileiro de Cachaça (Ibrac) e a Agência Brasileira de Exportação e Investimentos (Apex) promoverá uma rodada de negócios com compradores do exterior. “Alguns vêm apenas para isso e depois vão embora”, pontua a diretora executiva da Apar.

Entre os importadores, o grande foco são os Estados Unidos, que devem mudar, nos próximos meses, a nomenclatura da cachaça para fins comerciais. A bebida será classificada apenas como “cachaça”, ao invés de “brazilian rum”, e vai ser reconhecida como um produto genuinamente brasileiro. “Com essa mudança, todo o setor espera expandir as importações junto aos americanos”, diz Margareth Rezende. Para que o Tio Sam reconheça a cachaça como produto tupiniquim, é exigido que o Brasil passe a tratar os uísques Bourbon e Tenessee como produtos eminentemente norteamericanos. Segundo o Ibrac, a venda da bebida para os EUA cresceu 32,9% entre janeiro e julho de 2012, no comparativo com o mesmo período de 2011. A expectativa do Instituto é que as exportações para os Estados Unidos ultrapassem os US$ 2 milhões, crescimento 10% superior em relação a 2011.

A legislação (decreto nº6871/09) preconiza que um aguardente de cana só pode ser reconhecido como cachaça se seu teor alcoólico variar de 38% a 48%. Em 2011, o País enviou para o exterior cerca de 11 milhões de litros, resultando em US$ 17,28 milhões em vendas, o que corresponde a menos de 1% do que é produzido nacionalmente. A produção brasileira é dividida em pequenas em grandes empresas espalhadas por todo País, que, juntas, têm capacidade para gerar 1,2 bilhão de litros/ano do produto.