A morte de três crianças em Pernambuco na última semana chamou atenção para um problema: as agressões cometidas por pais e padrastos. Em Floresta, no Sertão, um menino de dois anos morreu ao ser jogado de uma ponte pela mãe, uma adolescente de 17 anos, que estaria drogada no momento do crime.
Já no município de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata Sul do Estado, Adriana Laurentino da Silva, de oito anos, foi morta a pauladas pelo padrasto. O agricultor disse que não gostava do pai da menina e por isso cometeu o crime. E neste fim de semana, um menino de 11 anos foi assassinado a tiros em Ribeirão, também na Mata Sul do Estado.
O aumento da agressão a crianças dentro de casa é alarmante, afirma Karla Ribeiro, que coordena de atendimento do Centro Dom Hélder Câmara de Estudos de Ação Social (Cendhec), organização do Recife que ajuda vítimas de maus-tratos. A instituição, que fica na rua Galvão Raposo, 295, no bairro da Madalena, atende uma média de 447 casos por mês.
“Apesar de ser colocado que tem muita gente denunciando, esses números ainda não representam a realidade, há bem mais casos”, afirma Karla Ribeiro. O Cendhec ajuda as crianças oferecendo atendimento jurídico, social e psicológico.
O projeto existe há oito anos e conta com três advogados, um psicólogo e um assistente social. “No nosso trabalho, percebemos o fortalecimento da família e a responsabilização dos agressores, de acordo com a legislação do país”, explica.
Segundo a coordenadora, mesmo que a criança não fale, é possível identificar indícios de que ela é vítima de agressão. “As crianças e adolescentes de certa forma mostram que estão sendo vítimas de violência, com sintomas como tristeza, irritabilidade, baixo rendimento escolar, baixa autoestima. Essas questões têm que ser observadas e monitoradas”, diz Karla.
“O próprio Estatuto da Criança e do Adolescente coloca família, sociedade e estado como obrigadas a ajudar. Vizinhos, médicos e professores, por exemplo, devem comunicar casos de violência contra crianças e adolescentes. A denúncia, por si só, já rompe com o ciclo da violência”.
Desde que foi criado o Disque-Denúncia, em janeiro de 2003, até outubro deste ano, o serviço já recebeu 9.804 ligações sobre violência contra crianças e adolescentes, uma média de quatro telefonemas por dia. Somente no último mês de outubro foram 118 ligações.
A mãe e o pai aparecem como os principais agressores e a casa é o local onde a violência ocorre com maior frequência. O Recife concentra metade dos casos registrados, sendo 40% deles de agressão física, 9% de maus-tratos, 5% de abandonos e os 43% restantes de vários crimes vinculados a esses.
Para buscar apoio a vítimas de maus-tratos, o telefone do Cendhec é o (81) 3227-7122. Já para denunciar casos de agressão contra menores, basta ligar para o Disque-Denúncia, no telefone (81) 3421-9595.
(pe360graus)







