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Palmares

Rompimento sem briga em Palmares

  • Lissandro Nascimento
Rompimento sem briga em Palmares

Jornal do Commercio

Nenhuma acusação, nenhuma briga, nada de pichação moral. Em Palmares, na Mata Sul, o prefeito e o vice-prefeito romperam por divergências no “modo de governar”, segundo atestam ambos. O afastamento data de 2010, justo na época da eleição para deputado estadual. O prefeito Beto da Usina (PDT) apoiou a candidatura de Aluísio Lessa (PSB), enquanto o vice, João Bezerra (PSB), fez campanha para o colega de partido João Fernando Coutinho. Os dois elegeram-se para a Assembleia, mas a tolerância entre os “cabeças” do Executivo municipal esgotou-se ali. Agora, preparam-se para ver qual dos lados vence nas urnas em outubro.

“Não houve desavenças. O vice-prefeito não despacha mais. Nunca fez parte do nosso grupo. Sem briga, sem demagogia”, admite Beto da Usina. O pedetista contará com o correligionário Aluísio Lessa na campanha, mas sabe que não será fácil combater o candidato do partido de Eduardo Campos, com quem diz ter boa relação desde os tempos do ex-governador Miguel Arraes, avô do atual governador. “Só não me filiei ao PSB porque João Bezerra (presidente municipal do partido) e João Fernando Coutinho nunca deixaram”, lamenta.

Na visão de João Bezerra, não foi bem assim, apesar de confirmar que o afastamento deu-se sem acusações de ordem ética. “Na verdade, o prefeito começou a se distanciar do grupo que o elegeu quando não cumpriu as promessas de campanha”, dispara o socialista. De acordo com ele, Beto da Usina mal pôs os pés em comunidades rurais desde que assumiu o poder municipal. “Ele disse que iria andar a cidade toda, mas faz três anos que o distrito de Santo Antônio dos Palmares e o de Serro Azul esperam essa visita. As pessoas sequer são recebidas na prefeitura”, aponta.

Sem gabinete na prefeitura, João Bezerra atende a população no escritório do partido, no Centro. “Sou a ponte entre a prefeitura e o governo do Estado. Pode ver que, depois das cheias (de 2010 e 2011), houve uma maior ação do governo aqui”, promove-se o vice, que sonha com o apoio formal de Eduardo Campos em sua campanha.