E quando a Quarta-Feira enfim chegou e em cinzas transformou toda a folia, rasgou, despudorada, a fantasia que tantos mascarados deslumbrou;
e quando a Quarta-Feira enfim chegou, fingiu não ver o mais cinzento dia; e, em meio à rua clara e tão vazia, cantou marchinhas e canções de amor.
No corpo nu calou toda a tristeza: deitou-se, doida de melancolia, na cama de confetes da calçada.
Tigresa, fez da quarta-feira presa: lançou-se, incontrolável, sobre o dia – bebeu, sedenta e só, a madrugada.
Poesia quarta feira de cinzas – Henrique Marques Samyn
Por Orlando Leite.














