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Santa Cruz

Foi no sufoco? Foi. Por sinal, é claro que teria que ser sofrido. Não bastava apenas fazer uma linda festa depois de cinco meses. O jogo precisava ser tenso. O grito da vitória tinha que ficar preso até o último minuto. Tudo no script. Começo, meio e fim.
Mas, finalmente com um final feliz para o Santa Cruz. Diante de um público espetacular no Arruda, a Cobra-Coral, mesmo longe de ser um primor na partida, venceu o Central por 2 x 1, ontem à noite, e se recuperou no Campeonato Pernambucano. Se recuperou na classificação, subindo para o 5º lugar. Mas, principalmente, recuperou a auto-estima do povão. Que mostrou ser mesmo fiel. Foi difícil imaginar que o time havia sido goleado pelo Porto na última quarta-feira. Pelo volume de torcedores, o 4 x 0 no Lacerdão parecia ter sido a favor do Mais Querido.
No embalo da massa, o Santa tentou sufocar o Central logo no início do jogo de ontem. Falando assim, até parece que o gol sairia coral com até 15minutos de jogo. Pois saiu logo no primeiro. O suficiente para incendiar o Arruda, já em festa. Bilica avançou bem pelo lado esquerdo e cruzou na medida para Márcio Barros, que subiu bem e abriu placar. Depois, começou o sufoco.
Apesar do baque pelo gol sofrido, o Central criou três boas chances. Cláudio errando por pouco, a bola passando perto, Zuba defendendo. Taticamente bem postado, o Santa manteve a calma para mudar o panorama da partida./
Apesar da pressão da Patativa, o Santa foi mais eficiente. Aos 34 minutos, Sandro cobrou uma falta na barreira. Mas a bola sobrou para William, que acertou um golaço, abrindo 2 x 0 no placar. No primeiro tempo, ainda ocorreu algo raro no futebol. O atacante centralino Fábio Silva foi expulso depois de ser substituído. Conseguiu a proeza de levar o cartão vermelho e mesmo assim deixar o time com 11 em campo. No segundo tempo, o Central começou assustando, com um gol de falta do experiente Djalma, aos 12 minutos. Cansado em campo, o Tricolor passou a deixar muito espaço para o adversário. Assim como no primeiro tempo, Cláudio perdeu boas chances. Nenhuma delas tão clara quanto a de Márcio Barros, que chegou atrasado em um rebote aos 24 minutos. Nos descontos, a cena final. Mais uma falta para Djalma. O meia bateu forte, mas André Zuba espalmou. Susto sim. Mas vitória garantida.
Vestiário – Contagiados pela torcida, os jogadores tricolores vibraram bastante no campo após o apito final do árbitro Cláudio Mercante. Foi a primeira partida de quase todos os jogadores no Arruda, vestindo a camisa do Santa.
O ex-volante rubro-negro Bilica fez questão de agradecer o apoio da torcida. “Se a gente não vibrar com o estádio desse jeito, vai vibrar como? Aí tem que deixar o clube”, afirmou o jogador, importante no sistema defensivo do Santa. Feliz com a sua atuação, o atacante Márcio Barros aproveitou para fazer uma auto-promoção. “O meu forte aqui sempre será isso, velocidade e força. Condicionamento físico em primeiro lugar”, disse. O elenco do Santa Cruz irá se reapresentar na tarde desta segunda-feira no Estádio Ademir Cunha, em Paulista.
Na próxima rodada, o tricolor enfrentará o Salgueiro na casa do adversário, no Estádio Cornélio de Barros, na quarta-feira. O Central vai encarar o Porto no “Clássico Matuto”, no Lacerdão, em Caruaru.
2 Santa Cruz
André Zuba; Parral (Juca), Sandro, Thiago Matias e Adilson; Bilica, Wágner, Elder (Miller) e William (Anderson); Marcelo Ramos e Márcio Barros. Técnico: Márcio Bittencourt.
1 Central
Davi; Russo, Sidney, Bebeto e Marquinhos Caruaru (Adeíldo); César Baiano, Mácio, Djalma e Danilo (Careca); Fábio Silva (Ailton) e Cláudio. Técnico: Lorival Santos.
Local: Arruda.
Árbitro: Cláudio Mercante.
Auxiliares: Erich Bandeira e Jossemmar Diniz.
Gols: Márcio e William (SC); Djalma (C).
Cartão vermelho: Fábio Silva (após ser substituído).
Cartões Amarelos: Thiago Matias, Sandro e William (SC); Sidney, Bebeto, César Baiano, Cláudio e Ailton (C).

SPORT
O Sport marcou três gols ontem à tarde contra o Serrano. Poderia ter feito seis, sete, oito. Com a vantagem numérica de dois jogadores desde o oitavo minuto do segundo tempo, o Leão perdeu a chance de aplicar outra goleada histórica na equipe sertaneja – no ano passado venceu por 8 x 0. A vitória por “apenas” 3 x 0 na Ilha do Retiro mostrou que o ataque deve continuar sendo o calo rubro-negro nesta temporada.
Em princípio, a deficiência ofensiva parecia estar ligada à formação da equipe. Ao contrário do anunciado, o técnico do Serrano armou esquema defensivo, com ênfase na marcação no meio-campo. Com pouco espaço, o Sport não conseguia criar. Tanto que as primeiras oportunidades surgiram em lançamentos longos, os dois protagonizados por Hamilton. O primeiro terminou com a finalização para fora de Fumagalli. O segundo foi desperdiçado por Wilson.
Aos 28 minutos, o técnico Nelsinho Batista parecia resolver o problema. Substituiu o zagueiro César pelo meia Luciano Henrique. Em seu segundo toque na bola, Lucianoabriu o marcador de cabeça após cruzamento de Fumagalli. A certeza é de que, no 4-4-2, o Sport iria deslanchar. Principalmente após a expulsão do atacante Paulinho aos 39 minutos.
Faltou ao Leão a ambição de buscar o gol. O time parecia displicente, com algumas exceções. A torcida no intervalo gritou “queremos jogador”, disparados diretamente à tribuna de honra da Ilha do Retiro, onde estavam os dirigentes. Talvez, crítica por causa da contratação do meia Daniel González pelo Náutico. Dias atrás, o Sport desistiu do jogador.
A partir dos oito minutos do segundo tempo, a deficiência ficou evidente. O Serrano tinha o segundo jogador expulso e abdicou do ataque. Deixou clara a intenção de evitar uma goleada. Mas o relaxamento rubro-negro continuou. E o placar só não permaneceu assim por causa das exceções. Aos 14 minutos, Sandro Goiano aproveitou o erro do goleiro ao cobrar o tiro de meta e lançou Ciro. O atacante dominou e chutou forte da entrada da área. Sport 2 x 0.
Inspirado e sem tanta obrigação de marcar,visto a desvantagem numérica do Serrano, Goiano infernizou a defesa. Mas faltava quem colocasse a bola nas redes. Tentou com Wilson em duas oportunidades, mas o atacante perdeu. Várias vezes trabalhou na ala direita com Jonas. Do lado esquerdo do meio-campo, Luciano Henrique também se esforçava, mas aparecia com menos frequencia.
Até que, aos 33 minutos, os dois resolveram declarar independência dos atacantes – três estavam em campo: Ciro, Wilson e Guto. Luciano recebeu e segurou até o momento certo. O lançamento preciso encontrou Sandro Goiano em velocidade, agudo, em direção ao gol. Veio então a aula. Com categoria, o volante driblou o goleiro e tocou para o gol aberto. Sport 3 x 0.
Sandro ainda encontrou tempo de “tomar a lição” de um dos “alunos”. Aos 43 minutos, deixou Ciro cara a cara com o goleiro Maikon. Mas ele perdeu. Guto também teve a sua chance. Mandou na trave.
3 Sport
Magrão; Igor, César (Luciano Henrique) e Durval; Sidny (Jonas), Hamilton, Sandro Goiano, Fumagalli (Guto) e Dutra; Ciro e Wilson. Técnico: Nelsinho Batista.
0 Serrano
Maikon; Júnior Moura, Edu Matos, Alex e Potiguar; Marcondes, Nau, Antônio Carlos (Gaspar) e Wéscley (Jamaica); Paulinho e Jr. Barrocão (Idalvo). Técnico: Erasmo Fortes.
Local: Ilha do Retiro.
Árbitro: Emerson Batista.
Assist.: Luciano Cruz e Pedro Wanderley.
Gols: Luciano Henrique, Ciro e Sandro Goiano.
Cartões amarelos: César, Hamilton e Ciro (Sp); Nau (Se).
Cartões vermelhos: Gaspar e Paulinho (Se).
Público: 17.637. Renda: R$ 69.600,00.

NÁUTICO
Os cofres alvirrubros estão temporariamente fechados. Após “roubar” o reforço do rival Sport, o meia chileno Daniel González, o presidente do Náutico, Maurício Cardoso, decretou o fim do primeiro ciclo de contratações. Um ponto final que, apesar dos últimos resultados, demonstra o crescimento da ambição timbu. Ao contrário do ano passado, o clube resolveu investir pesado logo no início da temporada. Tanto que a folha do final do ano passado já foi superada em R$ 100 mil, aproximadamente.
O vice-presidente de futebol Ricardo Valois define o equilíbrio financeiro de 2008 como fundamental para o investimento atual. Segundo ele, o clube repete a fórmula de 2008, quando não antecipou as cotas de patrocínio, e inicia a temporada com mais fôlego financeiro. Além disso, a diretoria espera ser beneficiada com o novo aumento da cota de televisionamento. Em 2007, o Náutico recebeu R$ 3 milhões. No ano passado, após reivindicar junto à emissora que detém os direitos do Brasileiro, recebeu R$ 5,5 milhões.
Valois não especifica de quanto será o aumento nem quando o Náutico vai requerer. “A gente conversou com Fábio Koff (presidente do Clube dos 13, que repassa os recursos do televisionamento) e ele achou justo o aumento da cota, mas não disse de quanto seria”, esclareceu o vice-presidente alvirrubro. Como fez no ano passado, o clube deve tentar elevar a cota para R$ 8 milhões.
Sobre o elenco, Valois destacou que a diretoria repôs todas as peças que o elenco necessitava. Agora vai esperar o rendimento do elenco no Campeonato Pernambucano. Existindo deficiências, o Náutico inicia o segundo ciclo de contratações. Apesar disso, nos bastidores comenta-se que o clube continua em negociação com alguns atletas. Um deles seria o atacante Denilson. Até o momento, o Náutico contratou 15 reforços. Os dois últimos foram o zagueiro Gladstone, que deve chegar ao Recife hoje, e do meia Daniel González.
Daniel – Ricardo Valois evitou polemizar sobre a contratação do chileno, que estava sendo pretendido pelo Sport. “Há 15 dias o Náutico estava negociando com dois atletas sul-americanos, um meia e outro atacante. O interesse existia independente de qualquer outro clube. Na sexta-feira à noite, nós conseguimos fechar a contratação e anunciamos”, destacou. Segundo ele, desde a venda de Acosta o Náutico mantém um observador nos países vizinhos.
Para contratar o jogador, o Náutico desembolsou US$ 140 mil (R$ 327 mil), metade destinada ao Colo Colo, detentor dos direitos federativos do jogador, e o restante de luvas para o atleta, que vai receber salário mensal de US$ 25 mil (R$ 58 mil). Ontem, surgiu a informação de que o Náutico estaria interessado no volante Daniel Paulista, também pretendido pelo Sport.
VITÓRIA
O Ypiranga compriu a lição de casa ontem à tarde. Embalado pelo apoio da torcida que compareceu em peso ao estádio, a Máquina de Costura anotou 2 x 1 em cima da Acadêmica Vitória, no Estádio Otávio Limeira, em Santa Cruz do Capibaribe. Com o resultado, o Ypiranga subiu para o 4º lugar da tabela, uma posição à frente do Náutico. Já o Vitória soma duas derrotas e um empate e segue sonhando com os três primeiros pontos do Estadual.
O primeiro gol do Ypiranga saiu aos 19 minutos do primeiro tempo, numa cobrança de falta de Lulinha. Em dia inspirado, o meia-atacante bateu no canto esquerdo do goleiro. Logo depois, aos 23 minutos, ainda na primeira fase do jogo, o mesmo Lulinha cobrou escanteio e Assis de cabeça jogou para o fundo da rede adversária. O Vitória ainda descontou com Jean, no segundo tempo, mas já não dava mais para o Taboquito.
O técnico do Ypiranga, Pedro Manta, saiu satisfeito com a apresentação do seu time e com o resultado do jogo. “A equipe entrou em campo sabendo de sua obrigação. E já no primeiro tempo conseguimos matar a partida. Agora, é hora de pensar no duelo desta quarta-feira, quando vamos enfrentar o Náutico no Limeirão”, frisou o comandante do azul e branco.
Pedro Manta entrou em campo com a seguinte escalação: Sílvio; Fágner, Jair, Santiago e Juan (Tiago); Welton, Júlio César, Lulinha e Júnior Borracha (Illa); Assis e Rodrigo (Lima).

por Berg Araújo.