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Recife

Quase metade dos professores pensa em deixar a carreira, diz pesquisa

  • Lissandro Nascimento
Quase metade dos professores pensa em deixar a carreira, diz pesquisa

A volta às aulas em todo o País ocorre em meio a um cenário de desgaste emocional e sobrecarga entre professores da educação básica.

É o que aponta uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto Casagrande Social, que ouviu 5.247 docentes das cinco regiões brasileiras e identificou altos índices de esgotamento, excesso de trabalho e intenção de deixar a profissão.

Segundo o levantamento, 66,4% dos professores afirmam terminar frequentemente ou sempre a jornada emocionalmente esgotados.

“O professor não está simplesmente trabalhando mais. Ele está sendo chamado a responder por um número cada vez maior de problemas. A profissão se expandiu, as responsabilidades se multiplicaram e as estruturas de apoio não cresceram na mesma velocidade. O problema do professor contemporâneo não é apenas excesso de trabalho. É excesso de complexidade”, afirma Renato Casagrande, presidente do Instituto Casagrande Social e organizador da pesquisa.

Resultados

Além do esgotamento diário, 48,3% relatam ter pensado seriamente em abandonar a carreira no último ano.

Outros 76,5% dizem trabalhar regularmente além da carga horária prevista, enquanto 68,9% afirmam ter dificuldade para se desligar mentalmente das atividades profissionais mesmo após deixarem a escola.

A pesquisa ouviu profissionais da educação infantil ao ensino médio, das redes pública e privada. Entre os participantes, 71% atuam em redes públicas municipais ou estaduais.

Os dados mostram que as dificuldades relatadas pelos professores vão além da transmissão de conteúdo. Entre os entrevistados, 72,8% afirmam que manter a atenção e o interesse dos estudantes se tornou uma das maiores dificuldades da profissão.

Outros 69,7% apontam a indisciplina como um problema recorrente, enquanto 67,9% destacam o aumento das demandas emocionais e sociais levadas pelos alunos para dentro da escola.

“Nunca se exigiu tanto do professor em tantas dimensões diferentes ao mesmo tempo. Ele precisa ensinar, incluir, manter a atenção, administrar comportamentos, acolher demandas emocionais, dialogar com as famílias, responder pelos resultados e cumprir uma quantidade crescente de exigências institucionais”, diz Renato Casagrande.

A pesquisa O Estado do Professor Brasileiro 2026, realizada pelo Instituto Casagrande Social, ouviu os professores das 27 unidades da Federação, entre maio e junho de 2026. Participaram docentes da Educação Infantil ao Ensino Médio, das redes públicas municipais, estaduais e federal, além de instituições privadas, comunitárias e/ou confessionais.

Do total, 39,7% eram da Região Sudeste, 27,2% do Nordeste, 18,3% do Sul, 8,2% do Centro-Oeste e 6,6% do Norte. Entre os participantes, 41% atuavam em redes públicas municipais, 30% em redes estaduais, 21% em instituições privadas e 8% em redes federais, comunitárias e/ou confessionais.

A pesquisa também contou com uma etapa qualitativa, composta por entrevistas presenciais com professores de diferentes regiões do País, cujas identidades foram preservadas para evitar qualquer possibilidade de represálias no ambiente profissional.