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Professores resistem diante da pressão do Estado

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Em entrevista concedida ao Programa A VOZ DA VITÓRIA pela Tabocas FM (98,5) na quarta-feira (14), a Coordenadora Regional do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Pernambuco (SINTEPE), Profa. Clicia Roberta, fez oportunos esclarecimentos sobre o movimento grevista da categoria na rede estadual.

Segundo Clicia, um movimento grevista é difícil e desgastante para os dois lados, o que a deixou surpresa foram as pressões e ameaças feitas por parte de um Governo que se diz socialista, esquecendo que o fundamental para resolver qualquer impasse é a negociação, frisou.

Indagada pelo apresentador sobre as últimas declarações por parte do Governo a respeito do calendário de reajuste e negociações, que é em outubro, ainda do Piso Nacional de Salário, corrigindo hoje, é de R$ 1.200,00 pelo que inicialmente o de Pernambuco foi definido em R$ 950,00 – o qual o Estado o fez por iniciativa espontânea, mesmo afirmando em sua defesa que não era determinante fazê-lo, tendo em vista que Supremo Tribunal de Justiça só o obriga a cumprir o Piso a partir de 2010.

Esclarecendo sobre esta informação que tem sido o principal duelo entre a categoria e o Governo, Clicia Roberta destacou que há muitas informações distorcidas neste assunto, principalmente sobre o Piso Salarial, lembrando que já esteve neste Programa falando sobre o assunto.

Relembrou que o Piso Nacional é o salário mínimo dos trabalhadores em educação, “isso significa que nenhum professor de nível médio pode estar em sala de aula ganhando menos que R$ 950,00 em seus vencimentos”, citou.
A lei do Piso foi aprovada em julho de 2008. Em 2007, na gestão do Governo atual, houve uma greve por melhorias salariais que durou 54 dias e o sindicato já fazia menção para o Piso Salarial, porque já havia recursos para tal. O que faltava era vontade política, afirmou. “Ao término da greve, além do reajuste obtido houve a promessa do governo que independente de como estivesse a votação do Piso, ele garantiria a aprovação do mesmo para os professores da rede”, ressaltou.

Em 2008, quando o SINTEPE sinalizava para mais uma campanha salarial, o governo estadual lançou mão de um documento e convocou o SINTEPE para informar que estaria antecipando o Piso Nacional, ao fazer isso ele se comprometeu com a lei na íntegra, mesmo sabendo que em janeiro de 2009 havia um reajuste a ser dado de 19,2% (que é o valor anual por aluno), explicou a Coordenadora regional.

Defendendo seus interesses o governo antecipou o Piso, segundo ela, mas na hora de agregar o reajuste dos 19,2% voltou atrás alegando que não tinha dinheiro e mencionando que havia feito acordos com o SINTEPE, “mas não comprovou, pois o único acordo feito foi o do piso salarial que não está sendo cumprido”, lamentou.

Houve uma intenção de organizar uma mesa negociadora para corrigir as diferenças salariais, o SINTEPE relacionou os nomes das pessoas para a negociação junto aos do governo, mas os trabalhos sequer tiveram início.

“Foi criada uma mesa negociadora por parte do governo, porém essa mesa trata o problema de uma forma geral e nós sabemos que a pauta da educação pode ser tratada à parte porque caso o governo prove que não tenha recursos para os salários a união cobre a diferença”, salientou.

Com relação à contratação temporária de professores descontarem os dias parados, a Profa. Clicia alega que isso é uma forma de pressionar os professores, outra maneira foi após o terceiro dia pedir na justiça a ilegalidade da greve.
“A contratação de professores substitutos está sendo feita de uma maneira sem nenhum critério. Que qualidade de ensino estas pessoas que foram contratadas aleatoriamente pode oferecer aos alunos”?, pontuou.

Finalizando a entrevista a Profa. Clicia Roberta mais uma vez declarou que a única forma de terminar este movimento é a negociação e convocou a classe para participar do movimento, “porque é com a união da classe que se consegue os objetivos desejados”, finalizou.

Por Orlando Leite.

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