Publicado em 29.11.2008
Da chantagem para a recuo. Pressionados, cinco vereadores de Glória do Goitá (Zona da Mata), a 46 quilômetros do Recife, aprovaram, na manhã de ontem (28), o orçamento do município do próximo ano, no valor de cerca de R$ 21,1 milhões. Até a última quinta, o grupo chantageava o presidente da Câmara, José Milton (PSB). Boicotava a sessão até que fosse pago o 13º salário proporcional de 12 ex-assessores – todos parentes que foram exonerados em setembro, após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de proibir o nepotismo na administração pública. Mas a pressão popular após a divulgação de diálogos por telefone entre o presidente e três vereadores em uma rádio local, a Goitacaz FM, e no JC de ontem, forçou o grupo a votar a matéria.
Irritado com a divulgação das gravações, os vereadores foram à Câmara, na manhã de ontem, e se reuniram com José Milton e o prefeito eleito, Djalma Paes (PSB). O encontro aconteceu em clima quente, com tom de voz alto e murro na mesa. “Quase que eu brigava com o presidente hoje (ontem). Ele podia ter dito “olha, estou gravando a conversa’”, reclamou Geraldo, que liderava o movimento para não votar o orçamento.
Os cinco vereadores que articularam a chantagem fazem oposição a Djalma Paes, que derrotou o atual prefeito, Doutor Miranda (PTB). Do grupo, apenas dois – Geraldo e Valdeir Félix (PTB) – se reelegeram. O presidente da Câmara, aliado de Djalma, perdeu a eleição.






