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Glória do Goitá

Prefeitura de Glória do Goitá é alertada sobre irregularidades na contratação de serviços médico-hospitalares

  • Lissandro Nascimento
Prefeitura de Glória do Goitá é alertada sobre irregularidades na contratação de serviços médico-hospitalares

Na decisão, o relator negou o pedido de suspensão do contrato e também determinou a abertura de auditoria para aprofundar as análises.

A Prefeitura de Glória do Goitá, na Mata Norte, e a Secretaria Municipal de Saúde receberam alerta do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) sobre possíveis irregularidades na contratação de serviços médico-hospitalares no Município. O processo teve relatoria do conselheiro Valdecir Pascoal.

O contrato, no valor de R$ 5.796.387,84, prevê a realização de exames de diagnóstico por imagem e procedimentos de alta complexidade para atendimento da rede municipal de saúde. A contratação ocorreu por meio de credenciamento, com assinatura do contrato nº 10/2026 junto ao Instituto Santa Bárbara de Gestão, Assistência à Saúde e Promoção Social (ISBA), entidade sem fins lucrativos. O acordo prevê a prestação de serviços em 16 especialidades, com proibição de subcontratação.

O alerta foi aprovado por unanimidade pela Segunda Câmara do TCE-PE, ao analisar a decisão do relator de negar medida cautelar para suspender o contrato, a pedido da equipe da Gerência de Fiscalização de Procedimentos Licitatórios do Tribunal. A fiscalização identificou vários indícios de irregularidades na contratação, entre eles:

problemas na condução do credenciamento;

exigências consideradas ilegais no Edital, que podem ter restringido a participação de outras entidades, comprometido a formação de preços e favorecido a única habilitada, o ISBA;

possível subcontratação de profissionais como pessoa jurídica para funções com características de vínculo empregatício, o que pode configurar burla à exigência de concurso público.

não observância da preferência legal por entidades filantrópicas;

comprometimento de grande parte dos recursos do Fundo Municipal de Saúde (FMS) com o contrato, limitando a atuação de outros prestadores do Município.

possível sobrepreço em itens contratados, com valores até 24,8 vezes superiores aos da Tabela SUS (SIGTAP);

quantitativos acima da necessidade para consultas oftalmológicas e exames de alta complexidade.

Segundo o relatório, a Prefeitura seguiu com a contratação, mesmo após alertas prévios da equipe de auditoria do TCE-PE, e parecer contrário do setor jurídico municipal. “O ato comprova a assunção deliberada do risco para suprir necessidade permanente de pessoal de forma irregular”, diz o relatório.

No voto, o relator explicou que a suspensão imediata do contrato poderia prejudicar o atendimento à população. Por isso, optou pelo envio do alerta à gestão, e pela abertura de uma auditoria especial, que irá analisar com mais profundidade o credenciamento e a execução do contrato.