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Recife

Por dentro da fábrica de ovos

  • Lissandro Nascimento
Por dentro da fábrica de ovos

EVENTO Neste momento a indústria de chocolate já está pensando na Páscoa do ano que vem. Processo começa 18 meses antes. Veja como funciona essa produção

Jornal do Commercio

Enquanto o consumidor transita entre as parreiras repletas de ovos de Páscoa para escolher que produto levar para casa, a indústria de chocolates já está preparando o evento do ano seguinte. O ciclo de Páscoa começa cedo. Algumas empresas iniciam o processo com 18 meses de antecedência, com uma pesquisa de mercado para tentar desvendar os desejos de crianças, jovens e adultos. Antes de as embalagens coloridas chegarem ao varejo, muita gente trabalha nos bastidores nas áreas de produção, marketing e logística (veja arte acima).

Na Lacta (Kraft Foods), uma equipe de 11 funcionários tem dedicação exclusiva para a Páscoa. São pessoas das áreas de engenharia de alimentos, marketing, vendas, desenvolvimento de produtos e embalagens e administração de projetos. A empresa fez uma pesquisa de mercado e decidiu apresentar 13 lançamentos este ano.

“Até julho já temos a definição dos produtos que vamos lançar. A partir daí elaboramos as receitas, desenvolvemos os moldes e as embalagens e aprovamos as licenças de personagens com os licenciadores”, conta a gerente de Marketing de Páscoa da Lacta, Mariana Perota. Cada produto que será apresentado tem, em média, três versões até que seja escolhido o definitivo. Também nessa época é feita a encomenda dos brinquedos que vão rechear os ovos da criançada. A maior parte deles é importada da China.

Entre agosto e setembro, a fábrica da Lacta em Curitiba começa a produzir os itens de Páscoa. A indústria funciona 24 horas, com três turnos de funcionários. Um reforço de 1.200 trabalhadores temporários são contratados para se juntar aos 3.500 colaboradores próprios. A fabricação dos chocolates se estende até o mês de março.

Este ano, 27 milhões de ovos de Páscoa vão sair da fábrica, 2 milhões a mais do que em 2011. O volume é equivalente a 21 piscinas olímpicas cheias ou a lotar 320 Maracanãs (considerando 82 mil pessoas sentadas). Depois de produzidos e embalados, os ovos de chocolates são preparados para chegar aos 30 mil pontos de vendas da Lacta espalhados pelo País.

Caminhões-baús climatizados a uma temperatura isotérmica de 18°C recebem os ovos embalados em caixas (de 6 a 12 unidades). A empresa conta com seis centros de distribuição que fazem o apoio logístico, localizados em Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife. São 2,4 milhões de caixas de embarque que, enfileiradas, totalizariam 9.600 quilômetros.

Para enfrentar a guerra com os concorrentes nos pontos de vendas, a Lacta contratou um exército de 6.800 promotores, que vão se juntar aos 2.200 colaboradores próprios. Esse pessoal começa a ser treinado entre dezembro e janeiro para estar tinindo nas parreiras a partir do final de fevereiro. “Eles aprendem sobre o portfólio de Páscoa, materiais promocionais, decoração das parreiras, manuseio dos produtos e abordagem aos clientes”, explica o gerente de Produtos de Páscoa da Lacta, Marcelo Morishito.

Quando acaba a Páscoa, os produtos quebrados voltam para a indústria e são incinerados. Eles não podem ser doados nem reaproveitados, porque podem ter sofrido contaminação. Aí, é hora de começar tudo de novo.