por Hely Ferreira
A postura adotada por João Goulart sempre dividiu opiniões, de um lado os que o consideravam populista, e do outro, aqueles que entendiam ser um reformista. O quadro político era cada vez mais inóspito, onde o PTB ( Partido Trabalhista Brasileiro), embora tivesse um crescimento avassalador nos últimos anos, não conseguia controlar o Congresso Nacional. O grupo que dava apoio a Jango era chamado de Frente Parlamentar Nacionalista e os opositores estavam na Ação Democrática Parlamentar.
Naquela época havia uma movimentação política bastante acendrada, onde a UNE (União Nacional dos Estudantes) exercia um papel significativo, promovendo mobilizações em favor das propostas sociais, e a Igreja Católica Apostólica Romana, em alguns setores, também apoiava. No Nordeste, o deputado Francisco Julião coordenava em Pernambuco, na cidade de Vitória de Santo Antão, as Ligas Camponesas, em prol da reforma agrária, algo que Jango simpatizava.
Em 1963 foram registradas 172 greves, onde grande parte eram organizadas pelo CGT (Comando Geral dos Trabalhadores). O programa que contemplava as reformas de base era discutido em quase todos os locais, assim, muitos entendiam que se estava vivendo o ápice da democracia. No dia 13 de março de 1964, Goulart esteve no comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, discursando para uma média de 150 mil pessoas. Além de prometer mudar os impostos, mencionou a necessidade de uma reforma urbana, algo que deixou muitos proprietários de imóveis estarrecidos.
A partir daí, ocorreu a aceleração para derrubada do governo. Ainda no mesmo mês, uma média de 500 mil pessoas desfilaram em São Paulo, na Marcha da Família com Deus pela Liberdade, algo que se portava de maneira antagônica ao comício da Central do Brasil. Em seguida, deu-se início a Revolta dos Marinheiros no Rio de Janeiro, servindo como o estopim para o golpe, já que a disciplina nas Forças Armadas estava ameaçada. Na madrugada de 1º de abril, o general Olympio Mourão Filho levou a guarnição de Juiz de Fora em marcha para o Rio de Janeiro, onde estava Goulart, começando assim o golpe.
Por Hely Ferreira,
Cientista Político.









