O Brasil vai ultrapassar a marca de 200 milhões de habitantes em 2015, mas a população brasileira vai começar a diminuir a partir da virada da década de 2030 para a de 2040. É o que mostra a mais recente revisão da Projeção da População, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A estimativa anterior feita pelo instituto, em 2004, já previa um crescimento desacelerado da população, mas a perspectiva era de que os brasileiros somariam 260 milhões em 2050. Novos dados que indicaram queda maior na fecundidade, acentuados pela tendência de alta da expectativa de vida do brasileiro, levaram o IBGE a concluir agora que, daqui a 42 anos, a população brasileira será de 215,2 milhões, já decrescendo.
A partir de 2040, esse número vai cair para 219.075.130, num sinal da superação dos nascimentos pelo número de mortes. A tendência declinante continua até 2050, quando seremos 215.287.463 brasileiros.
A queda da taxa de evolução demográfica que vai levar à diminuição da população é fruto da redução ainda mais acentuada do número de filhos por mulher. Em 2004, acreditava-se que a média ficaria em 1,85 por mulher em 2050. Porém, dados mais recentes do IBGE indicaram que a taxa de fecundidade de 1,86 vai cair ainda mais e se estabilizar em 1,5 filho por mulher a partir de 2028.
O aumento da expectativa de vida e o conseqüente envelhecimento da população elevará a taxa de óbitos. O Brasil tem hoje 189,6 milhões de habitantes. Se a média do crescimento da população tivesse se mantido nos patamares da década de 1950, teríamos hoje 105 milhões de brasileiros a mais. Isso não aconteceu porque a taxa de crescimento, que vem caindo nas últimas décadas e atualmente está em torno de 1,21%, será de aproximadamente 0,25% negativo em 2050.
Os dados revelam um Brasil avançando no envelhecimento. O estudo mostra que a expansão da população na faixa de 0 a 14 anos já é negativa. Em 2030, a faixa de adultos, entre 15 e 64 anos, também vai começar a reduzir. Enquanto isso, a proporção de idosos, com 65 anos ou mais, vai disparar, num vetor crescente pelo menos até 2025. A partir de 2035, o número de idosos já será maior do que o de crianças e chegará perto do dobro em 2050.
O coordenador da pesquisa, Juarez de Castro Oliveira, explicou que além da mortalidade masculina em função de mortes naturais ser superior à feminina, a violência é outro fator que contribui para a diferença tão desproporcional no número de mortes entre os sexos.
“A violência está se tornando uma mácula que teima em não cicatrizar e está interrompendo precocemente a vida de jovens, adultos, sobretudo do sexo masculino, em idades que poderiam estar exercendo uma atividade produtiva e isso é um fator preocupante”.







