Ele vinha exercendo ilegalmente a profissão em Nazaré da Mata
Folha de Pernambuco

JOSÉ Lins diz ser formado numa universidade da Bolívia. Foto: Maurício Ferry.
Mais de 30 anos exercendo ilegalmente a profissão de odontologista. Ontem, a carreira irregular de José Lins do Aragão, 60 anos, foi interrompida pelos agentes civis da Delegacia de Nazaré da Mata, que fica na Mata Norte do Estado. A denúncia contra o suposto estelionatário, registrada na unidade policial por duas vítimas, levou a equipe do delegado Aristides Porpino a investigar o caso. José Lins foi preso em flagrante quando realizava um procedimento na clínica protética onde trabalhava.
Segundo o delegado, após as primeiras denúncias, cerca de dez pessoas procuraram a delegacia para registrar queixas também. Deste total, cinco já foram ouvidas. “As duas moças que vieram primeiro até nós desconfiaram do tratamento que receberam. Uma delas disse que diagnosticou uma inflamação de gengiva com um provável câncer”, revelou Aristides Porpino.
O falso odontólogo garantiu que é formado por uma universidade da Bolívia, mas perdeu os documentos em um assalto que sofreu em 2005. No Brasil, ele não conseguiu o registro no Conselho Regional de Odontologia (CRO) e, por isso, não poderia exercer a profissão no País. Entretanto, José Lins não conseguiu provar a suposta graduação internacional. “A universidade que ele diz ter se formado nem existe”, assegurou o delegado. Para o delegado, o proprietário da clínica onde José Aragão atuava também poderá ser responsabilizado.
Durante a prisão do falso dentista, outro suposto golpista também foi detido. Entre os clientes que aguardavam na clínica esteva o faxineiro desempregado Claudio Ramos da Silva, 34 anos. Com uma declaração falsa que dizia que sua filha sofria de leucemia e necessitava de transplante, o homem pedia dinheiro às pessoas para a realização da cirurgia. Os agentes da Delegacia de Nazaré da Mata desconfiaram e confirmaram que a história se tratava de uma mentira.
Terminados os altos dos flagrantes, José Lins do Aragão e Claudio Ramos da Silva foram encaminhados à unidade prisional do município. O falso dentista responderá por estelionato e exercício ilegal da profissão. Já Claudio Ramos será julgado, apenas, por estelionato. Ambos foram conduzidos à Cadeia Pública de Nazaré da Mata.







