Em 2000, Elias Lira como candidato a prefeito se apoiou no discurso de corrigir a gestão anterior (Breckenfeld), ainda na defesa de um governo a altura de uma cidade pólo como é Vitória. Já o então José Aglaílson explorando os vínculos de sua tradição familiar e a de que queria fazer um governo popular diferente de Elias correu por fora e levou a eleição. Tentando entrar neste debate corria pela frente de centro- esquerda o Antonio de Lemos que ficou em terceiro na disputa e fez a diferença abrindo campo para o primeiro governo de Aglaílson. Pautou-se, assim, o confronto de idéias.
Em 2004 o esquema se repetiu. Agora em um modelo nominado de plebiscito: qual tipo de governo a cidade gostaria de ter? Se um governo que se mostrava dinâmico com Aglaílson, contudo, cheio de equívocos; ou no governo de Elias com experiência reconhecida e se cacifando como o anti-Aglaílson. A polarização conseqüente consolidou-se, novamente os campos estiveram definidos com nitidez.
No pleito recém-encerrado (2008), ao contrário, nada mais houve que a exaltação, por parte da Frente de Dedé (PSB) com a candidatura cacifada pelo Aglaílson. Os oposicionistas Elias Lira (DEM) com Henrique Queiroz (PR) fugiram como diabo foge da cruz da crítica ao governo Lula, pressionados pela popularidade do presidente; e acertaram na estratégia de pautar a eleição no “mote administrativo”, buscando confrontar com o governo de Aglailson o quanto estes poderiam ser melhor. O grupo de Aglaílson que poderia valorizar o embate ideológico trazido com Lula e Eduardo e confrontar também com o debate administrativo, acabou usando a estratégia de resumir a eleição tão somente na força e na figura de Aglailson.
A Frente de Dedé acabou se vinculando a Lula e Eduardo faltando quinze dias para as eleições, ou seja, explorou tarde. Preferiu empobrecer o debate, com artifícios “baixos”, ao invés de ir para o confronto de idéias com a coligação de Elias.
A polarização 2008 deixou de lado o embate político, valorizou o personalismo, e a cidade se dividiu por uma diferença de 232 votos. Como a estratégia principal do PSB era valorizar “a força” de Aglaílson, o Elias Lira conseguiu atrair grande parte do eleitorado que não queria ver o “Zé do Povo” com um terceiro mandato.
Tudo bem que a disputa foi direcionada para a polarização. É bom frisar da polarização de cores: amarelo e vermelho. Que lástima!
Sendo que a verdadeira polarização não ficou nítida para a população. A estratégia do debate administrativo e ideológico capitaneados pelo êxito do Governo Lula e a popularidade do governo Eduardo Campos não foi usada devidamente. No final as pessoas não viam muita diferença entre o que Elias Lira representava e o que o Dedé defendia. O eleitorado observou o viés administrativo puxado por Elias Lira e Henrique Filho, enquanto do outro lado havia Dedé e Bione marcado por oito anos de um governo “confuso e personificado no Zé do Povo”. Dentre, é claro, devido outros fatores, este elemento foi suficiente para vencer por 232 votos.
Porém há um prejuízo nisso. A campanha deve servir para esclarecer a população acerca dos problemas cruciais que a atinge. E isto não se dá reduzindo o debate apenas à problemática local e personalismos.
Mormente neste instante em que se inicia, em Pernambuco, um novo ciclo de crescimento econômico determinado em boa parte por decisões políticas nacionais, como a localização no Complexo Portuário de Suape de importantes empreendimentos industriais de ponta, a exemplo da Sadia, com grandes repercussões sobre a vida em Vitória de Santo Antão e no ambiente da Mata Sul pernambucana.

*Lissandro Nascimento,
Turismólogo, Professor e Editor do Blog A Voz da Vitória. Presidente local do PCdoB.








