
“A Confederação do Equador celebra muito daquilo que somos, os ideais de democracia e a luta pela liberdade, que sempre estiveram muito presentes no povo pernambucano”, destacou a governadora Raquel Lyra (PSDB), durante o evento que marcou o início das comemorações do bicentenário da Confederação do Equador. Realizado no Centro Cultural Eufrásio Barbosa, em Olinda, nesta terça-feira (02.07), a cerimônia celebrou o movimento revolucionário que marcou Pernambuco e outros estados do Nordeste. Na solenidade, a chefe do Executivo e a sua vice, Priscila Krause, que está coordenando a comissão especial do bicentenário, lançaram o Edital do Concurso para o Prêmio Frei Caneca de Teatro. O certame tem o objetivo de fomentar a produção teatral de todo o Estado, e vai contar com R$ 300 mil em premiação.
Pelos próximos doze meses, o Governo de Pernambuco promoverá atividades em prol de reafirmar a vocação libertária do Estado. “Tudo isso para que sempre possamos lembrar da imensidão que é Pernambuco, porque somos um país. Essa grandeza se deve a muitas pessoas que na Confederação do Equador tiveram coragem de decretar, pela primeira vez na nossa história, que seríamos uma pátria. E fomos uma pátria. Isso durou por cinco meses, mas traz marcas muito profundas em Pernambuco, nos revelando como um povo de muita bravura, muito guerreiro e sempre com valores democráticos muito fortes”, complementou Raquel Lyra.
Para a vice-governadora, que comanda a comissão especial, e que vem desde agosto do ano passado se reunindo com o colegiado, esse é um dia muito especial. “Hoje damos início às atividades comemorativas do bicentenário da Confederação do Equador, uma revolução que foi liderada por Frei Caneca, que é muito responsável por essa formação da pernambucanidade, de um estado que sempre foi vanguarda política e sempre lutou pelas liberdades individuais”, enfatizou Priscila Krause (Cidadania).
Liderando a Comissão Temporária em Comemoração aos 200 anos da Confederação do Equador no Senado Federal, a senadora Teresa Leitão parabenizou o Governo do Estado pela iniciativa. “Envolver os estudantes e todos os setores da sociedade faz com que o bicentenário ganhe, não apenas por reviver, mas por reviver olhando para o futuro”, celebrou.
No evento oficial de abertura, foi apresentado um selo postal comemorativo em parceria com os Correios, a programação de eventos científicos, ações na Universidade de Pernambuco (UPE), a reedição da obra “Frei Joaquim do Amor Divino Caneca”, de Edvaldo Cabral de Mello, pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), e uma cartilha para os professores dos anos finais da rede estadual.
Presente na solenidade, a deputada estadual Débora Almeida enfatizou a importância do evento para salvaguardar a história de Pernambuco. “Essa comemoração explicando e mostrando ao nosso povo o que realmente aconteceu, contando a história de Frei Caneca, é muito importante para que todos possam saber as origens da construção de Pernambuco e, principalmente, os valores da democracia e da liberdade”, afirmou a parlamentar.
O encerramento se deu com a apresentação do espetáculo “Frei Caneca – 200 anos da Confederação do Equador”, que tem direção de Carlos Carvalho e produção de Paulo de Castro. A comissão especial reúne cerca de 20 entidades e órgãos pernambucanos.

O rosto de Frei Caneca
Reunindo pesquisadores e historiadores da Universidade de Pernambuco (UPE) e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), uma das tarefas da comissão do bicentenário foi apresentar o rosto de Frei Caneca, personagem central da Confederação do Equador que pagou com a vida por participar do movimento. Com a carência de representações do religioso, foi feito um minucioso estudo com referências históricas e iconográficas.
No lançamento das comemorações, haverá uma exposição da iconografia de Frei Caneca produzida pelo artista Robert Ploeg. “Essa é uma das entregas mais importantes da comissão, que tem objetivo de popularizar a imagem de Frei Caneca. Esse trabalho foi muito importante pois aliamos o conhecimento histórico junto com as novas tecnologias, como a Inteligência Artificial, para chegarmos o mais próximo do rosto desse pernambucano tão ilustre e ao mesmo tempo ainda pouco identificado pela população”, pontuou Priscila Krause.
Sobre a Confederação do Equador
Considerado uma espécie de continuação da Revolução de 1817, a Confederação do Equador se destacou como um dos principais movimentos de contestação ao reinado do imperador D. Pedro I, que ainda flertava com os portugueses mesmo com a independência do Brasil. Depois de uma instabilidade política, os liberais colocam no comando da província Manoel de Carvalho, que declara a independência de Pernambuco em 2 de julho de 1824 e convida outras províncias do Norte como Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte para entrarem no movimento e fundarem um governo republicano.
A reação da Coroa foi implacável contra Pernambuco, que foi penalizado com a perda de território, como a Comarca de São Francisco, que compreende hoje o Oeste do Estado da Bahia (anos antes, Pernambuco já havia perdido a Comarca de Alagoas, que compreende atualmente o Estado vizinho, pela Revolução de 1817), e a punição de integrantes do movimento, inclusive com condenações de morte, como aconteceu com Joaquim do Amor Divino, o Frei Caneca, que foi executado no Recife pelo Governo Imperial por participar do movimento.







