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PE tem 4,8 milhões de negros

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BÁRBARA FRANCO

Preconceito e discriminação racial. Essas palavras não fazem parte somente do cotidiano dos quase 4,8 milhões de pessoas negras que existem em Pernambuco. “Com o tempo a gente cria consciência de que precisa mudar essa realidade e a tranformação só é possível quando há iniciativa própria”, declarou Valéria Cristina dos Santos, de 22 anos. A jovem é uma representação desses 60% da população negra que existe no Estado.
Nascida no bairro do Jordão Baixo, a cor nunca foi problema para conquistar seus desejos. “O preconceito existe. As pessoas não deixam de olhar por cima dos ombros para você, mas isso tem que ser encarado de frente. Você precisa se aceitar como negro, aceitar suas raízes e depois lutar para conseguir mudar alguma realidade”, afirmou.
Também jovem e negro, Alersson Teixeira, de 23 anos, acredita que com a criação de políticas públicas voltadas para mostrar que a discussão existe é o principal passo para o reconhecimento da comunidade negra que existe na sociedade. “Só assim podemos criar estratégicas de mudança, lutar pela igualdade de direitos”.
Hoje, integrante do Fórum da Juventude Negra do Estado, busca soluções para o atual índice de mortalidade de jovens negros. De acordo com o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), a probabilidade de ser assassinado é quase 12 vezes maior quando o adolescente é do sexo masculino do que do feminino. O risco é, também, quase três vezes maior para os jovens negros, quando comparados aos brancos.
O IHA revela que 45% das mortes de adolescentes entre 12 e 18 anos são provocadas por homicídio. Segundo dados da Central de Inquéritos do Recife do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), em 2008 foram feitas 265 denúncias à justiça de homicídio.
O número este ano já é bem superior, contabilizando até outubro 400 denúncias. “É preciso denunciar essas problemáticas para que mais políticas sejam criadas”, afirmou Alersson.
De acordo com o promotor de justiça da Central de Inquéritos do MPPE, Francisco Edilson de Sá Júnior, a questão do genocídio da juventude negra deve ser tratada com muita cautela. “Com as denúncias podemos provocar estudos e detalhar cada caso. Entender o motivo daquilo ter acontecido pela forma que aconteceu”.
Dos crimes cometidos no Recife, 68% são contra jovens entre 15 a 29 anos. Desses, 92% das vítimas são jovens negros. A melhor forma de provocar mudanças é lutar e combater essa realidade. “A população é a maior fiscal da justiça e deve ir atrás dos direitos e em busca de ações voltadas para a realidade social que existe”, disse o promotor.
Qualquer pessoa pode se tornar denunciante e auxiliar no combate ao número de jovens negros assassinados. A temática foi discussão no Seminário Políticas Públicas de Juventude: em defesa do direito à vida, contra o genocídio da Juventude Negra realizado ontem pelo Fórum da Juventude Negra de Pernambuco, em parceria com a Secretaria Especial de Juventude e Emprego e o Conselho Estadual de Políticas Públicas.
(Folha de Pernambuco).

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