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Água Preta

Para evitar novas tragédias

  • Lissandro Nascimento
Para evitar novas tragédias

ENCHENTES Governo deu a largada, ontem, para a construção da Barragem de Serro Azul, a maior das cinco projetadas para a Mata Sul

Jornal do Commercio

Após denúncias de favorecimento de Pernambuco em relação à liberação de recursos do Ministério da Integração Nacional, comandado por Fernando Bezerra Coelho (PSB), o governador Eduardo Campos assinou, na manhã de ontem, no município de Palmares, na Mata Sul, atingido por duas cheias consecutivas, em 2010 e 2011, ordem de serviço para a construção da maior barragem entre as cinco que foram projetadas para acabar com as enchentes na região. A intervenção é considerada primordial para evitar a ocorrência de novas tragédias. A principal função do reservatório é conter a força da água. Mas, mesmo com o sinal verde dado pelo governador, o Estado ainda não conseguiu vencer o obstáculo burocrático das desapropriações. Para realizar a construção, é necessário remover 460 famílias que vivem em pequenas propriedades rurais. Interesses diversos dividem quem mora no entorno.

Ontem, alguns moradores protestaram. A principal reivindicação é a construção das casas antes do início das obras da barragem de contenção. Eduardo Campos informou que já fechou acordos com alguns desses moradores e montou um escritório na zona rural de Palmares para cuidar de todo o processo de indenizações, evitando assim maiores transtornos.

A promessa é que o reservatório de Serro Azul, orçado em R$ 246 milhões, metade do recurso do governo federal e a outra metade do governo pernambucano, fique pronto em um ano e meio. A barragem terá 907 hectares de área espalhados pelas cidades de Palmares, Catende e Bonito.

O reservatório vai ser construído com um paredão com mais de um quilômetro de extensão e 65 metros de altura, equivalente a um prédio de 22 andares. Com isso, terá capacidade para conter 303 milhões de metros cúbicos de água. De acordo com o secretário de Recursos Hídricos, Almir Cirilo, esse volume é equivalente a uma vez e meia a quantidade de água que chegou a Palmares, Barreiros e Água Preta nas enchentes de 2010.

Durante a cerimônia, o governo anunciou, pela segunda vez, as intervenções de dragagem do Rio Una. A ação foi prometida pela primeira vez no dia 17 de junho do ano passado, quando o governador entregou as primeiras casas para famílias desabrigadas. Naquela ocasião, o governador assegurou que a dragagem começaria em julho do ano passado. A intervenção vai dragar 13 quilômetros do Rio Una. Desta vez, a promessa é que todo o serviço seja concluído em seis meses. O mapeamento e identificação dos materiais do fundo do rio começaram a ser feitos no fim do primeiro semestre do ano passado.

O então secretário-executivo de Recursos Hídricos, José Almir Cirilo, informou, na ocasião, que um trecho de 3,4 quilômetros estava mais comprometido passaria a ser dragado imediatamente. Ontem, o governador salientou que a intervenção é fundamental para impedir que o rio saia do seu leito natural.

“Esse trabalho de proteção é muito mais complexo do que se imagina. Temos que garantir a dragagem, o monitoramento do clima, como também plantar mata ciliar no leito dos nossos rios, que são o que chamamos de barragens verdes”, explicou o governador.