Publicado em 16.01.2011
Jornal do Commercio
O escritor pernambucano Osman da Costa Lins nasceu no dia 5 de julho de 1924, em Vitória de Santo Antão, a 51 Km do Recife. Em 1941, veio morar no Recife, onde conseguiu o seu primeiro emprego como escriturário no antigo Ginásio do Recife. Em seguida, ingressou no curso de finanças, tendo entrado também nesta época no Banco do Brasil. Ainda estudou dramaturgia na Universidade do Recife.
Por muito tempo, a partir de 1943, ele, que já começara a publicar seus textos em suplementos literários do Recife, parece deixar a ficção de lado em prol de sua nova condição de funcionário concursado do BB.
Entre 1944 e 1946, fez o curso de Finanças na Universidade do Recife. No final da década de 1940, casou com Maria do Carmo, com quem teve três filhas: Litânia, Letícia e Ângela.
Em 1950 ganhou um concurso literário com o conto O eco, mas a estreia na ficção ocorreu, em 1955, com a publicação de seu primeiro romance, O visitante. Em 1957, publicou Os gestos e, em seguida, O Fiel e a pedra. Sobre este romance, disse: “Esse livro é o ponto para o qual converge tudo o que eu fiz antes e o ponto de onde parte o que vim a fazer depois. É uma plataforma de chegada e de saída”.
No início dos anos 1960, viveu na Europa, como bolsista da Aliança Francesa. De volta ao Brasil, transferiu-se para São Paulo.
Em 1964, já separado de sua primeira mulher, casou com a escritora Julieta de Godoy Ladeira. Também em 1964, foi lançada a sua peça Lisbela e o prisioneiro (adaptado nos anos 2000 para o cinema por Guel Arraes, alcançando grande sucesso de público).
Em 1966, Osman Lins publicou, Nove, novena (contos), Um mundo estagnado (ensaios) e mais uma peça de teatro, Guerra do Cansa-Cavalo. Em 1970 tornou-se professor universitário, ensinando literatura brasileira. Obteve também o grau de doutor em Letras, com uma tese sobre o escritor Lima Barreto.
Em 1973 publicou Avalovara, um romance que tem como ponto de partida a interseção de uma espiral e um quadrado, nos quais se inscreve um palíndromo em latim, “sator arepo tenet opera rotas”, que pode ser traduzido por “o lavrador mantém cuidadosamente o arado nos sulcos” ou “o lavrador sustém cuidadosamente o mundo em sua órbita”. “A imagem do cosmo é apresentada como uma imensa planície eternamente cultivada por Deus, abrindo sulcos na terra com sua charrua e fazendo surgir as coisas criadas: homens, animais, plantas”, explica Lauro em seu ensaio.
Traduzido para diversos idiomas, Avalovara é considerado umas das mais ousadas obras literárias brasileiras. Osman Lins, que publicou no total 20 obras, faleceu em São Paulo em 8 de julho de 1978.
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