por Sérgio Goiana
A vida do servidor federal, em sua grande maioria, é bem limitada do ponto de vista financeiro. E isso não é novidade para ninguém. Sobretudo no Poder Executivo – excetuando alguns poucos setores -, os salários são baixíssimos, as contrapartidas de tíquete alimentação e de Saúde são insignificantes, sem falar que reposição da inflação e, pior ainda, ganho real são coisas quase inexistentes para mais de 80% desse universo. As dificuldades vão ser maiores ou menores, a depender do montante de despesa que cada um tem, e do custo de vida onde vive esse servidor.
Mas nada se compara às dificuldades enfrentadas pelos servidores federais que moram em Fernando de Noronha. Encerramos o calendário de assembleias de campanha salarial lá no arquipélago e, em conversas paralelas com os servidores do local, fiquei assustado com a carestia vivida não só por eles, mas por toda população da ilha. É assustador o preço dos itens básicos de sobrevivência. Só para se ter uma ideia, o preço do sal é R$ 4,00; o do feijão, R$ 12,00; e o botijão de água custa R$ 22,00. Todo alimento da Ilha ou segue de Recife ou de Natal, o que encarece consideravelmente a vida no paraíso.
Além disso, não são poucas as ruas esburacadas, quase sem condições de tráfego. Não é novidade para ninguém as altas taxas que o governo cobra do turista que visita a ilha, a chamada taxa de preservação ambiental. Mas será que não dá para reservar pelo menos uma parte dessa verba para a manutenção das ruas? O País está crescendo, mas a gente não tem água, não tem emprego, não tem qualidade de vida. Que crescimento é esse?
Educação e Saúde são outros dois problemas sociais enfrentados pelos noronhenses. Existe apenas uma escola estadual no local e nenhuma faculdade. O jovem que quiser fazer um curso superior tem que se mudar para Recife. O mesmo acontece com uma gestante. Aos sete meses de gravidez, ela tem que ir morar no Recife até que o filho nasça, já que em Noronha não há maternidade.
As contradições existentes em Fernando de Noronha precisam ser denunciadas. A beleza natural da ilha é indescritível e unânime. Mas esse paraíso é palco de muitas injustiças sociais. Nem o governo do Estado nem o federal estão dando a atenção que essa população merece. E isso é lamentável e inaceitável.

por Sérgio Goiana,
é coordenador geral do Sindsep-PE e diretor da CUT-PE.







