Muitos dos que são dados à prática da oração, vivem buscando respostas aos seus pedidos, pois é algo inseparável do homem o desejo muito mais aguçado em pedir do que em agradecer. Não é por acaso que nas orações as petições fazem parte do dia a dia, enquanto que os agradecimentos são colocados na maioria das vezes em segundo plano.
O que ocorre com frequência, não é o silêncio do pedido no que tange às questões do mundo metafísico, mas é que a resposta quando não corrobora com a nossa expectativa, costuma-se afirmar que Deus não respondeu as súplicas que estavam presentes no diálogo com o Absoluto.
Guardado as devidas proporções, o problema do desarmamento no Brasil vem sendo tratado de maneira semelhante. O referendo realizado externou a vontade do povo em relação ao fato, entretanto, todas as vezes que ocorre alguma tragédia e que tenha repercussão, volta-se ao cenário a velha temática de realizar um plebiscito em relação ao uso de arma, como se o caminho para resolver comportamentos escalafobéticos, estivesse atrelado em não ser permitido andar portando alguma arma, criando um pseudo entendimento em relação ao problema.
Acreditando que o legislador ao criar uma lei leva em consideração os anseios do povo, deve-se ter cautela em alguns casos, pois se tomar como esteio a referida máxima, correrá o risco de alterar sempre que houver uma nova lufada de retórica de algum novo sofista.
por Hely Ferreira,
*Cientista político.








