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O gigante acordou?

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O gigante acordou?

por Sérgio Goiana

O Brasil inteiro acompanhou os vários protestos ocorridos em todo o País nos últimos dois meses. O slogan era de que “o gigante acordou”, fazendo até uma analogia a uma marca de uísque. Durante todo esse tempo fiquei tentando entender o movimento, algumas vezes confuso, outras, empolgante. Não faltaram análises “especializadas”, algumas até contraditórias. Mas em um ponto todo mundo concorda: a insatisfação é geral, atinge toda a sociedade e todas as esferas de poder. A população quer mais.

Qualquer análise parece prematura ainda diante da rápida proporção dos protestos. Mas vou me arriscar aqui a algumas reflexões, até pelos anos que estamos no movimento sindical, realizando manifestações políticas, fazendo atividades de rua. Primeiro, se existe um gigante que despertou, seja bem vindo, mas nós, os movimentos sociais (sindicatos, entidades da luta pela terra, ONGs e tantos outros segmentos), nunca dormimos.

Apesar disso, temos que fazer a mea culpa. A voz das ruas também mostra insatisfação com relação aos movimentos sociais, no nosso caso, com os sindicatos. Estamos atentos e vamos fazer um esforço para rever onde podemos melhorar. Nesse exercício, é importante ampliar a participação da sociedade na vida política do País.

São muitas as manifestações que realizamos no decorrer do ano, como várias marchas que participamos em Brasília, organizadas pela CUT e pela Condsef, o Grito dos Excluídos, realizado anualmente no dia 7 de setembro, o Grito da Terra, as comemorações do 1º de Maio. Não faltam atividades e seria muito importante que esse “gigante” viesse reforçar essa luta diária existente nos vários segmentos das organizações sociais, unindo esforços para que tenhamos um Brasil com mais justiça social.

É importante destacar a participação da juventude nesse contexto. Não podemos deixar de reconhecer a garra desses jovens, que se apropriaram e se apropriam das novas tecnologias para uma mobilização em rede. Que bom saber que essa juventude não está inerte, está nas ruas para lutar por um mundo melhor.

A classe média também foi protagonista desses novos protestos e deve continuar na luta, desde que tenha como fim a igualdade e a solidariedade entre os homens. O saudoso e genial geógrafo Milton Santos dizia que “a classe média não quer direitos, quer privilégios”. Prefiro ser otimista e acreditar que dialogar com a voz das ruas é o melhor caminho. Mas sempre na busca de um Brasil melhor para todos. “Gigante”, por favor, não durma mais… Precisamos de você acordado.

por Sérgio Goiana,

é coordenador geral do Sindsep-PE e diretor da CUT-PE.