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O fim do voto ideológico

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Publicado em 02.11.2008

Contados os votos da eleição municipal, ficou mais ou menos claro no Brasil inteiro que o eleitor de 2008 jogou suas fichas no “resultado”. Elegeu o candidato a prefeito que, a seu juízo, apresentava as melhores condições para resolver os problemas de sua cidade. Ou, então, no que candidato que recebia o apoio do prefeito que deu certo e estava bem avaliado nas pesquisas.

Em certa medida, mandou para as cucuias o “voto ideológico” que predominou fortemente no País, mesmo em pleitos municipais, nas campanhas de 85, 88, 92, 96, 2000 e 2004.
É só comparar o que houve no Recife em 2000 e 2004 nas duas vitórias de João Paulo com o que aconteceu em 2008 quando o candidato João da Costa derrotou Mendonça Filho.
Nas duas campanhas de João Paulo a cidade cobriu-se de vermelho e a comemoração da vitória no Marco Zero foi um espetáculo cinematográfico. Gente de todas as idades e de todos os recantos da cidade se abraçando, sorrindo e chorando de alegria, como se estivesse festejando uma Copa do Mundo.
Na vitória de João da Costa não houve isto, o que já ficou claro ao longo do dia. A militância do PT ocultou-se das ruas e mesmo a que foi ao Marco Zero para celebrar a vitória do candidato foi infinitamente inferior à das campanhas anteriores.
Como o atual prefeito tem uma avaliação positiva em todas as camadas da população, atribui-se a frieza da campanha e também a da comemoração da vitória ao fim do “voto ideológico”. Vota-se agora em silêncio, não pela cor da bandeira mas pelo trabalho.

Por Inaldo Sampaio,
da Coluna “Pinga Fogo” do Jornal do Commercio.