
(Imagem: Cearaemfotos)
Por Helder Sóstenes, colunista do Blog
Estamos vivenciando uma situação um tanto curiosa: De um lado um País com imenso potencial hídrico, com grandes rios, bacias, cataratas que formam uma das mais extensas redes fluviais do mundo, sendo considerado o país da América Latina que contém a maior reserva de água doce. Ainda sim, vivenciamos em algumas cidades fenômenos de inundações, devido a elevação do leito do rio com as fortes chuvas.
De outro lado, temos um Brasil nordestino que está vivenciando uma das maiores secas de origem climática da história. Diz a história que pior que esta só a de 1877, que devido a falta de informação a dificuldade de acesso 57 mil nordestinos morreram.
Neste antagonismo, somos obrigados a fazer a seguinte pergunta: Será que diante de tantos recursos tecnológicos existentes, é justo acreditar que apenas, por sorte, o Céu irá resolver nosso problema?
O período seco interfere negativamente na qualidade de vida dos sertanejos que já vivenciam um País isolador. A seca não é apenas um problema social, mas também moral daqueles que deveriam estar somando esforços delineando a montagem de uma infraestrutura adequada, gerando renda, consolidando qualidade de vida com dignidade, cidadania e sustentabilidade.
Nossos irmãos nordestinos ajoelham implorando chuva a São José. Enquanto isso, nossos governantes em ano pré-eleitoral travam disputas ocultas que não interessam a ninguém, se não a eles próprios. Aliás, a indústria da seca sempre rende muitos votos. Vendem esperança e solução em ano eleitoral assegurando mandatos efetivos com bastante facilidade. Sem falar no fenômeno dos Carros-pipas e outros tipos de “humilhação” que alguns nordestinos sofrem diariamente. De maneira eloquente os oportunistas fazem promessas, reuniões, passeatas e protestos a favor do povo nordestino.
Até quando o dinheiro público será desviado como ocorreu na transposição do rio São Francisco? E grande mídia por sua vez continua dando pouca cobertura a temática seja da transposição, seja da seca. Na verdade passam para a população uma realidade fictícia de um País em evolução. Vender o lado do País devastado não é interessante comercialmente em ano próximo a Copa do Mundo.
Por último é possível sim, combater historicamente a seca no nordeste, não apenas dependendo da transposição faraônica do Rio São Francisco, que teve suas obras paradas por desvio de dinheiro público das construtoras. É preciso de imediato construir novas cisternas, barragens subterrâneas, assim como perfurar poços em diversas áreas para promover o abastecimento destas cisternas. Além disso, é preciso claro empregar a tecnologia a favor do agricultor e promover inclusão social ao homem do campo, dando meios de subsistência, diminuindo as desigualdades.
Por Helder Sóstenes, colunista do Blog.







