Publicado em 11.09.2009
Há 8 anos, ataque terrorista ao World Trade Center e ao Pentágono destruiu a ideia da invulnerabilidade do território dos EUA e seu sistema de segurança
Fernando Menezes
Os ataques de 11 de setembro de 2001 derrubaram muito mais do que as torres gêmeas do World Trade Center e parte do Pentágono. Na verdade, o choque daqueles quatro jatos com seus alvos destruiu o mito da inviolabilidade do território dos Estados Unidos e da eficiência do seu sistema de segurança. As ações suicidas dos fanáticos dos vôos 11 e 77 da American Airlines, 175 e 93 da United Airlines deixaram expostas as falhas, algumas até primárias, do esquema de monitoramente de suspeitos, e, sobretudo, a negligências na vigilância dos embarques.
A mídia internacional destacou o que se revelou mais espetacular, a queda das torres de 110 andares, mas apenas mencionou que mais cinco edifícios foram destruídos ou seriamente danificados: quatro estações do metrô e a igreja cristã ortodoxa de São Nicolau. A queda do vôo 93 em Shanksville, próximo da Pensilvânia, ganhou destaque porque o alvo dos terroristas era o Capitólio, que se salvou pelo sacrifício da tripulação e dos passageiros do vôo UA 93, que enfrentaram os terroristas de mãos limpas.
Na luta, o avião caiu, matou a todos, mas salvou um emblema dos EUA. Como ocorre sempre nestes eventos de alta carga emocional, há uma versão de que um míssil do próprio governo derrubou o jato. As falhas de segurança se revelaram inacreditáveis: 12 dos 19 sequestradores dos vôos foram interceptados, tiveram suas bagagens separadas e depois foram autorizados a embarcar.
Os ataques marcaram a primeira agressão aos EUA dentro do seu território e ficou comprovado que foi uma ação planejada e executada pela Al-Qaeda. O ataque é particularmente agressivo e desmoralizante porque foi coberto ao vivo pela televisão. A autoria foi confirmada pelo próprio Osama bin Laden em entrevista exibida pela TV árabe Al-Jazeera.
Os ataques resultaram em elevado custo para os Estados Unidos, não apenas em vidas humanas e prejuízos materiais, mas igualmente pela repercussão política. Quando Bin Laden disse que os ataque foram motivados (e justificados – acrescentou) pelo apoio a Israel e a ocupação da Península Arábica, eles podem ser entendidos como uma punição que se executou dentro da casa de Tio Sam.
As baixas foram mais severas do que as causadas pelo ataque aéreo de surpresa dos japoneses contra a base dos EUA, em Pearl Harbor (7 de dezembro de 1941): aproximadamente 2.400 mortos. No 11 de Setembro foram 265 nos aviões, 2.752, incluindo 242 bombeiros, no WTC e 125 no Pentágono. Um total de 3.234 mortos. Os ataques determinaram a política contra o terrorismo, que o presidente George Bush batizou de ações contra o “Eixo do Mal” formado por Iraque, Irã e Coréia do Norte.
O ataque dos EUA contra o Iraque, que derrubou Saddam Hussein em abril de 2003, foi uma ação de represália. O ditador foi enforcado em 30 de dezembro de 2006.
(Jornal do Commercio).







