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O Cristão e a Política

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Nos últimos tempos tem crescido a participação de cristãos evangélicos na política nacional. Mas essa participação, infelizmente, não tem sofrido impacto de maneira positiva. Durante o ápice do Império Romano, o nascimento do Cristianismo causou incômodo, principalmente pelas idéias de Jesus. O receio de perder o poder fez com que Roma adotasse uma postura com os cristãos semelhante ao sabor de absinto.
O pensamento medieval através da Patrística e da Escolástica revisitou através dos seus principais expoentes o pensamento platônico e aristotélico respectivamente. Os escritos hegeliano afirmam que com a Reforma Protestante, o homem moderno teve a oportunidade de discordar do que até então era apresentado como idéia única em relação ao cristianismo.
É bem verdade que Lutero não teve uma postura admirável no que diz respeito à Revolta dos Camponeses. Por outro lado, bem mais participativo na política, Calvino criou uma forma de governo que, segundo estudiosos, fora o primeiro modelo político moderno, tendo exercido influência em sua época, ao ponto de com Knox na Escócia, fez nascer à expressão presbiteriana, por ser o governo dos presbíteros. No Brasil, a presença do governo holandês em Pernambuco era possível vislumbrar uma atuação do protestantismo na política local.
Os “anos de chumbo” promoveram uma apatia na grande maioria dos protestantes aqui no Brasil, e não esquecendo a conivência de muitos com o sistema. Adotando uma postura antagônica ao que se tinha antes de 1964. Durante o processo da redemocratização alguns lampejos foram vistos da participação de alguns protestantes, mas infelizmente, nada de grande relevância, a não ser a prorrogação do mandato do Senhor José Sarney por método não muito republicano.
Estamos prestes a mais uma festa cívica, e com ela torna-se necessário vencer alguns desafios, vejamos: romper com estigma do corporativismo da bancada evangélica no Congresso Nacional; participar ativamente da política nacional; votar em candidatos que realmente tenham compromissos em defender o melhor para o povo; não utilizar o voto como moeda de troca visando beneficiar a si ou a Igreja a qual é membro ou congregado; entender e aceitar que estamos em um Estado Democrático de Direito e não em uma Teocracia.
P.S. Este artigo é um resumo da palestra proferida na IPB do bairro de Beberibe.
por Hely Ferreira,
Cientista Po­lí­ti­co.