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O BRASIL SOLIDÁRIO E O LAMENTO SERTANEJO

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Novembro de dois mil e oito: o povo catarinense sofre com uma enchente de fúria e constância jamais vistas em sua história.
Em curto tempo, entra em cena uma destacada característica do povo brasileiro: a solidariedade. Sim, o brasileiro tem a marca da solidariedade em sua essência. Para se ter uma idéia disto, aproximadamente dez dias após o início do recebimento das doações de alimentos e roupas vindas dos quatro cantos do País, a Defesa Civil de Santa Catarina pediu a suspensão das mesmas em razão de ter sido superada a capacidade de armazenamento nas Centrais de Arrecadação e Distribuição.
Mas o que me chama a atenção neste episódio lamentável que atinge os sulistas é o fato – positivo e humanista – de a tragédia ter causado um profundo impacto e clamor em nossa sociedade a ponto de mobilizar todo o País e, em decorrência disto, surgirem ações efetivas de ajuda aos catarinenses. O Governo Federal, como não poderia ser diferente (cumpriu com a sua obrigação), liberou verbas objetivando o restabelecimento do Estado.
Santa Catarina viveu a sua última grande enchente no ano de mil novecentos e oitenta e quatro. De lá pra cá são vinte e quatro longos anos. Nos últimos vinte e quatro anos, o sertão nordestino convive com secas ou estiagens anualmente, fenômenos estes de dimensões econômicas, sociais e políticas. Na verdade, seria um sonho para o sertanejo um período de vinte e quatro anos sem estiagens.
É de impressionar a forma como a sociedade brasileira passou a enxergar o sofrimento do sertanejo. Não nos mobilizamos, não existe clamor nem impacto social sobre a questão. Parece até que as reais necessidades dos habitantes daquela região passaram a ser encaradas como um estilo de vida ou como algo que já está arraigado no cotidiano brasileiro.
O governo federal vem, há algum tempo, prometendo concluir a obra de transposição do Rio São Francisco como forma de amenizar tal sofrimento, porém, vem perdendo uma grande oportunidade de envolver o brasileiro no debate de forma mais acentuada e de sensibilizá-lo sobre o problema. As vítimas da estiagem prolongada também são nossos irmãos e merecem toda a solidariedade, solidariedade esta que o brasileiro, como já dito, tem “de sobra”.
Enchentes e estiagens são fenômenos naturais que se desenvolvem de formas diferentes, porém, têm o mesmo poder destrutivo. A população das regiões por elas atingidas está prestes a conviver com a queda da oferta de alimentos, as doenças, o desespero, a morte, enfim, ambos os fenômenos deveriam ser encarados, não só pelos governos como também pela sociedade, de uma forma equivalente.

por Décio Canuto dos Anjos Filho,
vereador.