Editorial da Folha de Pernambuco
Publicado em 31 de janeiro de 2011.
A população do Recife, Olinda e do interior do Estado vem demonstrando simpatia e aplauso pela atuação de dom Antônio Fernando Saburido, nas funções de arcebispo das duas grandes cidades pernambucanas. Sua presença e procedimento ecumênico são uma característica que o distingue como principal representante da Igreja Católica entre nós, independentemente de confissão religiosa, tantas são as não-católicas, inúmeras merecedoras, igualmente, respeito.
O círculo de pessoas que o conhecem bem afirma se tratar de uma grande vocação missionária, capaz de manter a chama viva da espiritualidade, pela ligação permanente que mantém com Deus na condição de contumaz praticante de orações.
Ao tomar posse, na presença de milhares de católicos, disse que a Arquidiocese estaria aberta a todos, elaborando uma pastoral de acordo com o seu estilo pessoal. Não quis se diferenciar do antecessor, de temperamento mais reservado, num gesto que somente o engrandeceu, reconhecendo, ao mesmo tempo, que todos têm o direito de agir de acordo com a sua consciência.
O novo arcebispo já visto como uma pessoa acessível, simples, comunicativo e preocupado com a questão social, condições que lhe eram inerentes desde quando ordenado bispo há nove anos.
Trata-se de um verdadeiro pastor. Discreto e eficiente, sabendo se conduzir com o equilíbrio dos justos. Dom Antônio Fernando Saburido iniciou a carreira religiosa ao se ordenar padre em 1978. Formou-se em teologia e filosofia no Mosteiro de São Bento de Olinda, tendo assumido a presidência da CNBB até 2005, vindo, em seguida, a ser bispo diocesano do Município de Sobral, no Ceará.
Intransigente defensor da vida em todas as suas circunstâncias, o novo arcebispo critica as disputas religiosas e, com rigor, “as igrejas que pregam a teologia da retribuição, você dá e Deus devolve”. Para ele, Deus não é isso. Deus é amor. “O que deve ser pregado é a prosperidade espiritual e não a econômica”, numa referência implícita a outras confissões religiosas que assim se conduzem.
Com ênfase, ressaltou que a Igreja Católica não discrimina ninguém à qual todos são bem-vindos. Homossexuais, prostitutas, qualquer pessoa que esteja numa situação aparentemente difícil, têm guarida. Buscamos a conversão e, por isso mesmo, somos contrários a discriminações, salientando que “na verdade, o que é importante é a defesa da vida”. O Recife e Olinda têm, portanto, o arcebispo que merecem.







