por Daniel Max*
A onda de protestos iniciada em São Paulo trouxe consequências dez anos depois. Muitos vão se apressar em dizer que uma coisa não tem relação com a outra, porém, se analisarmos os fatos com uma lupa um pouco maior, veremos o porquê da afirmação.
As manifestações de 2013 que começaram como uma luta contra o aumento de passagens em São Paulo, logo se tornaram uma fúria violenta e antidemocrática protagonizada por grupos de direita aliados aos Black Bloc em várias cidades do Brasil. Surgidas no rastro da chamada “primavera árabe” (convocada pela internet/bigtechs), que resultou na destruição da economia e credibilidade internacional da Tunísia e no golpe militar que depôs Mohammed Morsi, presidente democraticamente eleito no Egito, doravante, essas manifestações também causaram estragos por aqui. Quem vivenciou aquele período deve se lembrar da quebradeira, incêndios de carros e expulsão de militantes de esquerda a socos e pontapés das passeatas (quem não vivenciou pode pesquisar). Podemos, também, registrar que parte da esquerda “limpinha” se misturou com essa “gentalha” violenta e de direita para praticar insanas violências contra outros militantes do campo político da esquerda brasileira.
A incredulidade das forças democráticas de que alí estaria se gestando o embrião do fascismo algorítmico brasileiro, custou caro, pois, apenas três anos depois esse movimento derrubou uma presidente eleita democraticamente (Dilma), colocando em seu lugar um vice (Temer) que promoveu a retirada de direitos dos trabalhadores e o desmantelamento da Educação no Ensino Médio, além do corte de verbas nas universidades, que viria a ser aprofundado nos anos posteriores. Tudo isso, criou o caldo de cultura para a eleição do candidato da extrema direita em 2018, após a inelegibilidade e prisão injuriosa do único candidato do campo progressista que poderia derrotá-lo naquele pleito.
As consequências dessa eleição foram terríveis e resultaram na morte de centenas de milhares de vidas durante a pandemia da Covid-19, no desmantelamento da economia, da cultura, da educação e da vida social brasileira, sobretudo do desprestígio internacional vergonhoso do nosso País.
Sob o discurso da liberdade de expressão e ser contra o “sistema”, tanto os Black Bloc de 2013, quanto os filhotes da lava-jato que invadiram os três poderes, praticaram atentados contra os direitos democráticos, os primeiros por não aceitarem a diversidade de cores nas passeatas com atitudes explicitamente fascistas e o segundo grupo por ações mais expressamente golpistas no 8 de janeiro de 2023.
Esses episódios devem servir de exemplo para que os movimentos e as forças democráticas não subestimem o fascismo, seja na forma do integralismo das décadas de 1930/1940, seja na forma de manipulação algorítmica para disseminar ódio pela internet/bigtechs, bem como é errôneo personalizar ou chamá-lo por outro nome. Fascismo é fascismo e ponto!
As forças progressistas e trabalhadores/as jamais devem deixar de se organizar e marchar democraticamente nas ruas exigindo mais democracia, direitos trabalhistas e sociais, evitando, assim, o vácuo que pode ser ocupado pela já crescidinha criatura gestada no começo do século XX e repaginada em 2013 e 2023.

Por Daniel Max,
Sociólogo e Colunista do Blog A Voz da Vitória.







