Embora o desejo de eleições diretas para presidente do Brasil fizesse parte da história, a emenda foi rejeitada na Câmara Federal. Restava agora ao País o meio indireto para escolher o novo presidente civil, depois de 21 anos. O caminho encontrado foi o Colégio Eleitoral, algo que lembrava o governo autoritário que, embora estivesse em fase terminal, ainda respirava.
Depois de muito embate dentro do partido governista, o PDS (Partido Democrático Social), entre os candidatos Mário Andreazza e Paulo Maluf, o segundo saiu-se vitorioso, causando um cisma entre os governistas. Assim, aqueles que se “rebelaram” ficaram conhecidos como os integrantes da “Frente Liberal”, onde depois passou a chamar-se PFL (Partido da Frente Liberal).
Dentre os integrantes, a figura de Aureliano Chaves é sempre lembrada, justamente por ser a época o vice-presidente da República. O nome da oposição era o de Tancredo Neves, desde então articulado pelo deputado Fernando Lyra. Pela primeira vez em 21 anos, a oposição percebia que iria sair vitoriosa, por contar com o apoio dos integrantes da Frente Liberal.
Tancredo foi eleito, mas não chegou a tomar posse, a saúde o impediu e com seu falecimento, o seu vice José Sarney (integrante da Frente Liberal), foi efetivado no cargo com a responsabilidade de substituí-lo. Em pouco tempo, o novo presidente procurou cumprir algumas promessas de campanha de Tancredo, dentre elas, que ali seria a última vez que se votaria de forma direta para presidente do Brasil.
Um dos marcos do governo Sarney foi a implantação do Plano Cruzado, que em pouco tempo fez do presidente uma grande popularidade. Porém, bastou terminar o pleito eleitoral de 1986 para que o plano entrasse em uma profunda crise e a velha inflação aparecesse de maneira tenaz na vida do povo brasileiro. Com todas as mazelas de um governo de transição, o Brasil enfrentou muitas dificuldades, mas nem por isso esmoreceu a tão decantada “Nova República”.
Por Hely Ferreira,
Cientista Político.









